Usar roupas curtas pode. Usar jóias caras não.


Como é que essa galera quer ser levada a sério com um discurso contraditório desses? Me refiro dessa vez ao blogueiro Leonardo Sakamoto.

Em seu blog, Sakamoto dedicou um post inteiro ao movimento da "Marcha das Vadias". O nome do post é "Vadia sim! Quem é você para achar que pode ser diferente?" e o link para o post é este:




Sakamoto escreve apoiando claramente as reivindicações do movimento, como o direito das mulheres de saírem de casa de mini-saia sem serem estupradas, de ter a mesma liberdade sexual que os homens, etc.
O movimento é contra a atitude de culpar a vítima por agressões sexuais, porque "estavam se insinuando", ou "usando roupas curtas", etc. Isso você pode constatar pelas frases escritas nos cartazes que aparecem nas fotos.

Ele também deixa ainda mais claro que apóia o movimento e a idéia de que é errado culpar a vítima, em um outro post com o título: "Como garantir que a vida dos filhos de homossexuais seja um inferno".


Veja no trecho abaixo retirado deste mesmo post:

"Ou seja, a velha tática de, uma vez questionado, usar o discurso de culpar a vítima.

- Ah, mas ela pediu. Ninguém bota uma saia curta dessas se não estava pedindo.

- Quem mandou esse reporterzinho ir fuçar os nossos negócios. Se ele tivesse ficado na dele, estaria vivo agora."

Repare que na primeira fala ele remete novamente às reivindicações do movimento "Marcha das Vadias".
Com tudo isso, Sakamoto deixa bem claro que é contra a atitude imbecil de culpar a vítima por um crime. Até aí tudo bem, acho que todos nós também concordamos com ele, certo?

Mas depois disso ele acabou se contradizendo em um post recente que gerou muita polêmica. O título: "Ostentação deveria ser crime previsto no código penal"


Uma das frases mais polêmicas do post é essa reproduzida abaixo:

"Não tenho medo de ser assaltado em meu carro porque não tenho carro. Não receio que levem minhas jóias ou meu relógio caro porque não tenho relógio. Não fico com pavor de entrarem na minha casa e levarem tudo porque meu bem mais precioso é um ornitorrinco de pelúcia. Não me apavoro em andar na rua à noite a não ser por conta do risco de chuva. E por mais que vá a bons restaurantes de vez em quando, devo ressaltar que nunca fui assaltado em nenhuma barraca de cachorro-quente… Acho que já deu para entender o recado. Não tenho medo da minha cidade porque, tenho certeza, ela não precisa ter medo de mim."

Pera aí! Para tudo! Como pode a mesma pessoa que até então vinha se posicionando contra a atitude de culpar a vítima de repente faz exatamente isso?
O que ele quis dizer com essa frase?

"Ah, mas ele pediu pra ser roubado! Se não quisesse ser roubado, não deveria andar por aí de carro e carregando jóias".

Qual é a diferença desse raciocínio para o raciocínio do estuprador que se sente no direito de violentar uma mulher porque se trata de uma "vadia"? Nenhuma!

É a hipocrisia e a falta de coerência, se mostrando presente de novo.

2 comentários:

  1. Este Sakamoto é extremamente incoerente, isto é só uma das incoerências dele.

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  2. Eu diria que essa é uma situação simples, esse figura simplesmente escreve sobre o que ele acha correto para cada caso individual e jamais se preocupou em procurar um ponto comum que atenda a todos de forma igual, ele não busca algo como o velho conceito de que a minha liberdade vai até onde começa a de outra pessoa. Mas esse é um comportamento até bem comum para uma grande maioria, cada vez mais eu vejo pessoas como ele, é a praga da internet, qualquer um com um acesso pode tentar aparecer.
    E antes que alguém fale alguma coisa, sou a favor das reivindicações da marcha das vadias, particularmente acho que elas escolheram mal o nome para o movimento e sou contra a forma extremamente desrespeitosa como em alguns casos elas pedem por respeito (a visita do Papa é um exemplo disso).

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