Não há razão para ter medo da liberdade

Protesto contra a proibição de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos

Muitos aqui, assim como eu, já devem ter se perguntado: Por que as pessoas abrem mão de sua própria liberdade de escolha? Por que alguns sentem a necessidade de um "estado babá" tomando conta deles próprios? São questões bastante complexas, mas sobre as quais tentarei lançar alguma luz aqui.

A solução mais recorrente na política, pelo menos no Brasil ao que me parece, é a proibição daquilo que julgam ser a fonte do problema. Esta parece ser sempre a solução mais fácil, versátil e simples para muitos dos problemas da sociedade. Mas o preço a ser pago por este vício é bastante alto: A nossa liberdade.
E o pior de tudo: Essa solução simplista muitas vezes não funciona. Ou seja, muitas vezes abrimos mão de nossa liberdade a troco de nada.


Uma situação que na minha opinião contribui para esse "vício" e pior, para a sua aceitação popular, é a que iremos tratar nesse texto: O desconhecimento das pessoas, em especial no Brasil, sobre quais são as soluções adotadas em outros países para as mesmas questões.
Será que aquilo que estão propondo proibir é mesmo a causa do problema? Será que em outros países recorreu-se à proibição para solucionar tal problema? Qual foi o resultado? Será que em outros países, observa-se o mesmo problema, mesmo sem existir nenhum tipo de proibição para as suas supostas causas?

Acredito eu que a total ignorância das pessoas no Brasil sobre o que "pode ou não pode" lá fora é, em partes, a razão pela qual adquirimos e sustentamos aqui o vício político da simples proibição.
Mas já que estamos falando de exemplos bem sucedidos ou não, vamos aos tais exemplos.

No Brasil se fala em acabar totalmente com a publicidade infantil, sob o argumento de que ela estimula o consumismo precoce e os hábitos alimentares pouco saudáveis.
Diante disso, gostaria de ressaltar que o Japão é o país, até onde eu posso observar, onde a publicidade infantil é a mais "agressiva". No entanto, o país tem a expectativa de vida mais alta do mundo.

Anúncio do Mc Donald's no Japão

Confira aqui a Lista de países por expectativa de vida. - Advinhem qual é o primeiro da lista?

Veja também abaixo, o link para o site do Mc Donald's em alguns países de primeiro mundo, que mostram os famosos brindes do Mc Lanche Feliz em cada um destes países. Aqueles mesmos que no Brasil, são alvo dos "protetores da saúde das nossas crianças":


A enorme discrepância entre a mentalidade dos proibicionistas e a realidade para a qual quero chamar a atenção aqui fica ainda mais evidente quando olhamos para outros exemplos. Um deles trata de uma polêmica que foi recentemente debatida em nosso país: A liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios por ocasião da Copa do Mundo.
Acontece é que este assunto não causou tanta polêmica quanto deveria. A falta de um amplo debate público sobre o tema só mostra o quanto estamos acostumados a ter o estado tomando decisões arbitrárias por nós.

Eu sempre acreditei que as leis que regem um país, assim como todo código normativo, deveria formar um todo coerente.
Então, por uma questão de coerência eu pergunto: Se vender bebidas nos estádios era ruim durante outros eventos e competições, não será ruim também durante a copa? Se não será ruim na copa, porque é ruim em outras ocasiões?
Porque abrir esta exceção? Em que sentido a copa do mundo é uma situação diferente das demais?

E mais do que uma simples questão de coerência, é bom lembrar que só houve a exigência de que fosse aberta uma exceção por ocasião da Copa do Mundo porque é comum vender bebidas alcoólicas em estádios fora do Brasil. Então, exigiu-se que as regras da casa fossem alteradas para receber melhor os visitantes, desacostumados a este tipo de proibição.
Mas se as bebidas alcoólicas são as responsáveis pela violência nos estádios, porque em outros países onde a venda não é proibida, não vemos tantos casos de violência, ou pelo menos não casos tão graves, como vemos no Brasil?

Talvez a violência entre torcedores tenha diminuído depois da proibição (sinceramente não tenho dados estatísticos sobre o tema), mas mesmo que isso tenha acontecido, ainda não é um argumento definitivo a favor da proibição.
Mesmo neste caso, a bebida alcoólica, não pode ser a única culpada pela violência nos estádios, porque ainda precisaríamos somar os fatos observados aqui no Brasil com os fatos observados lá fora e tirar conclusões que não sejam contraditórias com nenhuma das duas realidades. Nesse caso a conclusão mais razoável seria a de que a bebida é, no máximo, uma catalisadora, que maximiza os efeitos dos verdadeiros culpados pela violência entre as torcidas.

Mas quais são estes verdadeiros culpados? Não seria mais efetivo atacar estes verdadeiros culpados e ainda manter a liberdade de poder comprar uma cerveja dentro de um estádio?

Analisar casos deste tipo de postura política liberal (literalmente falando) em outros países é também muito importante para sustentar todo o discurso liberal (ideologicamente falando) de uma forma bem mais ampla pela seguinte razão: Quando tentamos mostrar para um não-liberal que os países mais liberais são também os mais bem sucedidos social e economicamente é comum ouvirmos a resposta: Tais países só se tornaram "ricos" porque exploram outros países mais pobres, em relações economicas assimétricas, hoje e no passado.

Sabemos que isso não é verdade, mas vamos assumir por um instante que seja. Ainda assim, fica a questão: E quanto a todas as políticas liberais que são criticadas, não pelo mal que supostamente espalham pelo mundo, mas pelo mal que supostamente causam ao próprio povo que se submete à elas?

Acho que está difícil de entender, não é mesmo? Então vamos à outro exemplo do que eu quero dizer: A lei Cidade Limpa que foi implementada na cidade de São Paulo para regular rigorosamente os anúncios externos da cidade tais como outdoors, fachadas, painéis, etc, sob a justificativa de acabar com a "poluição visual" na cidade.
Agora, se você pegar uma foto da Times Square em Nova York, de Tóquio, de Hong Kong, Seul, etc. vai constatar que estas cidades não aparentam ter uma lei similar a esta que foi implementada em São Paulo. Pelo contrário, estas cidades parecem fazer daquilo que aqui se chama de "poluição visual" os seus mais conhecidos cartões postais.



O fato para o qual quero chamar a atenção é o seguinte: A poluição visual na Times Square não prejudica as criancinhas que estão passando fome na Somália. A alegação é de que prejudicam os próprios nova-iorquinos e isso inclui os ricos, burgueses, magnatas e famosos que passam diariamente por aquele local sem se importar com isso.

Como pode São Paulo considerar o fim do mundo, algo que outras cidades, muito mais desenvolvidas diga-se de passagem, usam como cartão postal? Será que a poluição visual torna os nava-iorquinos mais doentes, infelizes, deprimidos ou estressados que os paulistanos?

Podemos citar ainda outros exemplos clássicos, já bastante conhecidos, mas pouco lembrados, quando não ignorados, nos debates públicos:
A tolerância dos Países Baixos com as drogas. A grande porcentagem de cidadãos que possuem armas de fogo na Suíça. Os caça-níqueis no Japão. Os cassinos em Las Vegas, Singapura, etc.

Drogas, armas e jogos de azar, andando livremente pelo primeiro mundo e você preocupado com o Mc Lanche Feliz? E antes de se indignar lembre-se: O terceiro mundista aqui é você.

Típico Cofeeshop em Amsterdã

Caça-Níqueis no Japão

Civis com Armas na Suíça

Vending Machine de Cigarros na Alemanha

Cassino em Singapura

Comercial de Cerveja para crianças no Japão.
Obs.: Não tem álcool e é doce.

Filmes Recomendados:
- Obrigado por Fumar
- O povo contra Larry Flynt

4 comentários:

  1. Pra falar a verdade, o livre comércio e o estado mínimo, na minha opinião, seria a solução.
    Iríamos ter alguma turbulência no início, mas ele se autorregularia.

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  2. Porco outro artigo seu fantastico cara, eu fico impressionado como voce tem uma compreensao fantastica da economia, eu estudo International Business Administration, e cara, eu consigo ver o teu conhecimento, Parabens.

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  3. Simplesmente estarrecedor a pluraridade de argumentos parciais a lá Ludwig von Mises, à querer universalizar teorias econômicas liberais igualitariamente a todos os países sem levar análises individuais socioeconômicas de cada um. Mises fala que não existe o comumente e aplica o indivíduo em si, então vocês remetem a teorias universais a todos os subdesenvolvidos. Ora, não misturem alhos com bugalhos, não pratiquem "Consciência Washington" (Consenso de Washington e suas temeríveis análises falhas - ver Paulo Nogueira Batista), mas leiam de Celso Furtado/Keynes à Mises e toda a a escolástica liberal.

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    1. É exatamente este o ponto que o texto quer chegar, se liberdade dá certo lá fora, por que não daria aqui no Brasil? Se somos diferentes a ponto de ter que proibir, o que precisamos fazer para nos tornamos como eles e poder liberar?

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