O homem é lobo do homem - Parte I



Hobbes dizia que o homem é lobo do próprio homem.
Atualmente, o discurso politicamente correto e progressista tem trocado esta máxima por outras como: O branco é lobo do negro, o homem (gênero masculino) é lobo da mulher, o israelense é lobo do palestino, etc.

O problema começa quando este discurso busca um embasamento histórico. 
E o que é pior: O que aprendemos na escola não é história, não a verdadeira história com todas as suas nuances e complexidades. O que aprendemos na escola é nada mais que este embasamento histórico para este ponto de vista. Nada mais do que isso.

Aprendemos que os portugueses roubaram o Brasil dos índios, que os brancos escravizaram os negros, que os japoneses invadiram a Coréia, que os europeus colonizaram a África, que durante milênios, as mulheres não tiveram os mesmos direitos  que os homens, etc.
Isso tudo é mentira? Óbvio que não! Isso tudo é justificável? Óbvio que não!
Mas o que está errado então em ensinar isso para as crianças? É a história não é?



Hernán Cortés dizimando os astecas.

Os astecas fazendo sacrifícios humanos em massa.

O problema não está no que é ensinado, mas no que é omitido.
E o que é omitido é que antes de Hernán Cortés dizimar os astecas, os próprios astecas dizimaram e subjugaram dezenas de outros povos. Que os traficantes de escravos raramente se embrenhavam pelo interior da África em busca de escravos, estes eram quase sempre, comprados de outros africanos. Que a quantidade de índios que o homem branco matou não foi maior do que a quantidade de outros homens brancos que o homem branco matou. Que um dos mais abjetos genocídios do século XX foi cometido por negros da etnia hutu contra outros negros da etnia tutsi.

Enfim, Se contássemos a história de forma imparcial, a conclusão a qual todos chagariam é a de que o homem é realmente o lobo do próprio homem. Ponto final. Raça, etnia, nacionalidade, religião, língua, sexo, etc, sempre foram meros detalhes.

Estou sugerindo então que preconceitos e diferenças de várias naturezas não são fatores determinantes destes conflitos sociais? 
Não, não é isso que eu estou sugerindo. 

O que eu quero dizer é que primeiro, não podemos generalizar estes fatos históricos de forma simplista e em segundo lugar, que as diferenças que geraram estes conflitos ao longo da história não seguem os mesmos critérios que a fala dos vitimistas de hoje. Os hutus dizimaram os tutsis porque eram de etnias diferentes, claro, mas do ponto de vista da cor da pele, temos apenas negros matando negros. Quando irlandeses católicos matam irlandeses protestantes, é óbvio que a diferença cultural e religiosa é uma das causas, mas são apenas brancos matando brancos, europeus matando europeus, homens matando homens, heterossexuais matando heterossexuais.
Conclusão: Não é possível generalizar a história, quando bem contada, com base nos critérios simplistas usados pelo atual discurso vitimista e politicamente correto dos ditos progressistas.

Não é de se estranhar que hoje em dia, se fale tanto em politicas afirmativas e em reparar erros históricos. Não poderíamos esperar outra reação das pessoas quando olhamos para a forma como elas aprenderam história.

Mas como é que vamos reparar a história? Vamos devolver a Palestina aos palestinos e expulsar os israelenses? Para alguns é uma ideia razoável. Mas e quanto a devolver o Brasil aos índios? Ou vamos ainda mais a fundo: Vamos fazer os europeus descendentes dos visigodos devolverem suas terras aos europeus que descendem dos povos que já habitavam estas regiões antes da entrada dos visigodos?
Quem estudou história de verdade sabe que a ideia mais absurda que um ser humano já foi capaz de conceber é a de reparar erros históricos.

O próprio conceito de erro histórico na verdade, já é absurdo. Pra definir o que foi um erro ou não, precisamos fazer um juízo de valor. Nada pode ser mais idiota do que fazer juízos de valor sobre fatos históricos. Da mesma forma que é delicado julgar um hindu do ponto de vista da moral cristã, é muito delicado julgar o europeu do século XVI com base nos nossos valores atuais, pós-modernos, pós-iluministas, enfim, pós-um monte de outras transformações éticas, culturais e sociais que criaram nosso atual sistema de valores.


Se os Estados Unidos tiveram em sua história episódios como a escravidão ou a remoção de índios de suas terras, o Brasil também teve. A diferença é que eles tiveram Steve Jobs, Thomas Edison e muitos outros e nós não.

Todas as nações tem algo do que se envergonhar em seu passado, mas são poucas as que tem muito do que se orgulhar.

Também é visível a quantidade de "erros históricos" que a fala dos progressistas levanta para atacar os grupos os quais querem denegrir. Quando falam dos Estados Unidos, por exemplo, lembram dos índios que foram expulsos de suas terras, da escravidão, da segregação racial, etc. Mas aí vem a pergunta: Que nação nunca cometeu "erros históricos"? Ou ainda, que nação não estava cometendo os mesmíssimos erros históricos naquela mesmíssima época? Repare que o Brasil cometeu pelo menos dois destes mesmos erros históricos: Expulsão dos índios de suas terras originais e escravidão. A diferença é que o Brasil, apesar de ter cometido os mesmos erros, não deu nem um terço das contribuições que os Estados Unidos deram para a humanidade.
Todas as nações tem algo do que se envergonhar em seu passado, mas são poucas as que tem muito do que se orgulhar.

Existia segregação racial nos Estados Unidos até a década de 60? Bom, na África do Sul ela existiu até 1994. Curiosamente, o ano de 1994, tão próximo de nós, foi o mesmo do já mencionado genocídio de tutsis em Ruanda. Na Alemanha, até 1945, apenas cerca de 20 anos antes dos movimentos por direitos civis nos Estados Unidos, ainda prevalecia o nazismo, que foi incomparavelmente pior.
Se os Estados Unidos não são exemplo para o mundo, qual nação você indicaria para ocupar este lugar?


A conclusão que podemos tirar disso tudo é inequívoca: Os critérios usados pelo discurso vitimista para julgar a história não se sustenta numa análise minimamente imparcial.

2 comentários:

  1. "A diferença é que o Brasil, apesar de ter cometido os mesmos erros, não deu nem um terço das contribuições que os Estados Unidos deram para a humanidade"

    Você foi bonzinho nessa com o Brasil hehe...

    Brincadeiras à parte, ótimo texto. A máxima de Bastiat ("o que se vê e o que não se vê") encontra ecos em todos os lugares no discurso da esquerda, inclusive na história. Vivemos em meio à hipocrisia generalizada e temos um papel de combater em prol da racionalidade.

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  2. Na verdade Hobbes repete uma máxima que existe na cultura ocidental desde os tempos do império romano, criada por Plauto: Lupus est homo homini non homo. Continuem à postar, esta um bom trabalho.

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