Aqui está, como prometido, o terceiro post da "trilogia" de artigos que tratam do papel do estado numa sociedade livre, de acordo com as ideias de três pensadores liberais distintos. O primeiro, tratava das opiniões de Ludwig von Mises conforme expressas no livro Liberalismo Segundo a Tradição Clássica; o segundo mostrava a visão de Friedrich Hayek, usando como base a obra Caminho da Servidão e por fim este, trata das ideias de Milton Friedman presentes no livro Capitalismo e Liberdade.

O texto deve se alongar bastante dessa vez e por isso, vou poupar o espaço em que caberia uma apresentação desta proeminente figura que é Milton Friedman. Presumo que a maioria dos meus leitores já esteja a par de algumas de suas ideias principais, de sua importância para as ciências econômicas e de seu destaque dentro do movimento liberal.



Marxista pode ter iPhone? Acho que sim pois, até onde eu sei, o boicote aos produtos do capitalismo, partindo de iniciativas individuais não parece ser uma via revolucionária viável para Marx. O problema é que, de acordo com a teoria económica marxista, alguém disposto a pagar tão caro pra ter um iPhone é, digamos assim, um trouxa.

Deixe-me explicar: Marx acreditava na Teoria do Valor Trabalho, diferente dos liberais modernos que acreditam na Teoria do Valor Subjetivo. Os liberais modernos acreditam que o valor de uma mercadoria depende das preferências, dos valores e dos gostos subjetivos das pessoas, já Marx acreditava que o valor da mercadoria depende do trabalho necessário para produzi-la.

Como Marx explica então, a disposição de algumas pessoas em pagar tão caro em mercadorias com alto valor agregado? Como um marxista explica, por exemplo, o preço elevado de uma simples xícara de café no Starbucks, feito com ingredientes os quais qualquer um pode ter acesso? Ou o preço salgado de um...iPhone? 



"Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus.
E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus."
Mateus 19:23,24

Esse é o trecho que os adeptos do anti-capitalismo cristão usam para fundamentar a ideia de que Jesus condenava a riqueza. Acontece é que estes malignos manipuladores da palavra de Deus omitem sistematicamente os dois versículos seguintes:

"Os seus discípulos, ouvindo isto, admiraram-se muito, dizendo: Quem poderá pois salvar-se?
E Jesus, olhando para eles, disse-lhes: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível."
Mateus 19:25,26

Ou seja, é muito difícil para um rico, entrar no reino dos céus, mas não impossível. Se não é impossível, então a riqueza em si não pode ser o problema.

Mas vamos contextualizar melhor a passagem. O capítulo 19 de Mateus é bem grande, começa com Jesus falando que casamento é entre homem e mulher e que é indissolúvel - Mas essa parte os esquerdistas vão achar melhor pular, certo? - terminando na história do jovem rico.
Um jovem rico perguntou a Jesus o que ele deveria fazer para conseguir a vida eterna. Jesus responde que ele deve guardar os mandamentos, citando alguns em seguida. O jovem afirma que guarda todos eles desde sua infância e então pergunta: O que ainda me falta? Jesus então diz: "Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me." - Mateus 19:21
O jovem então se retira porque, aparentemente, era muito difícil se livrar de suas muitas propriedades. É então que Jesus profere a famosa sentença que citamos no começo deste texto. Os discípulos se mostram desconcertados com uma declaração aparentemente tão radical e questionam o Mestre, é quando ele explica que, por mais difícil que seja para um rico se salvar, não é impossível. A conclusão: A riqueza em sí não é o problema, mas a atitude de colocá-la acima de Deus. O jovem rico recusou um chamado de Jesus para não ter que se livrar de suas riquezas.

Bom, mas Jesus não mandou que ele vendesse tudo o que tinha e distribuísse aos pobres? Então não é isso que todos nós temos que fazer? Para responder essa pergunta, vou me ater só ao aspecto moral (se devemos ou não nos livrar voluntariamente de nossas riquezas) e ignorar aspecto político porque, se Jesus fosse mesmo um socialista, como alguns alegam, ele não teria pedido ao jovem que vendesse seus bens, teria feito uso da força para desapropriar os bens do rapaz, tomado para sí próprio uma parte, como pagamento pelo seu trabalho como justiceiro social e dado o restante para os seus apoiadores políticos, não necessariamente pobres.

Mas a resposta é não, não é isso necessariamente que Jesus espera de nós. Jesus pediu que ele, especificamente o moço rico, distribuísse seus bens entre os pobres e não que todos nós façamos isso. Disse que ele deveria fazer isso primeiro, se quisesse ser perfeito, já que o jovem demonstrou interesse em ir além e fazer algo mais, em segundo lugar, para obter um tesouro no céu e por fim, para que pudesse seguir Jesus, afinal, não fazia sentido simplesmente deixar para trás suas riquezas, sendo assim, já que ele não mais iria tomar conta delas, melhor que as vendesse e doasse aos pobres.

Jesus estava chamando o jovem rico para segui-lo de perto, num chamado semelhante ao que fez aos apóstolos, e isso pode ser confirmado nos versículos seguintes:

"Então Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos; que receberemos?
E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel.
E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor de meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna."
Mateus 19:27-29

Gostaria de enfatizar um pouco mais este trecho: "E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos (…)". Quem conhece a história dos primeiros discípulos de Jesus, dentre eles Pedro, sabe que eles deixaram para traz não só seus bens, sua profissão de pescador, no caso de Pedro, mas também suas famílias. Mas será que é isso que Jesus espera de ABSOLUTAMENTE TODOS nós? Creio que não. Há uma vocação específica para cada um. Jesus não quer que você abandone suas propriedades para segui-lo, mais do que quer que abandone também sua família, cônjuge e filhos. Mas ninguém usa esta passagem para sugerir que Jesus está nos pedindo que abandonemos nossa família, não é mesmo?

Já escrevemos outro texto mostrando indícios de que Jesus não condenava a riqueza e que dava algumas indicações sobre o bom uso dela.


É muito difícil desvendar as reais posições do papa Francisco, isso por que a mídia tenta criar seu próprio papa, à sua própria imagem e semelhança, distorcendo o discurso de Francisco de acordo com sua própria conveniência. Já venho denunciando isso em nossa página no Facebook, repetidas vezes. Neste texto, tentarei ser o mais imparcial possível, para não cair neste mesmo erro.
As distorções e mentiras são tantas, que muitos dos títulos e chamadas das matérias que usarei aqui como fontes, podem até mesmo estar em contradição com a afirmação que faço, mas tentem se focar nas falas do próprio papa.

A acusação de que o papa seria marxista ou comunista, vêm tanto da esquerda, por vezes com o objetivo de sequestrar para si, a imagem de um papa carismático e popular e assim, atrair pessoas para a sua ideologia, ou ainda, com o objetivo de jogar os conservadores contra o líder maior da igreja, dividindo dois grupos que tradicionalmente estiveram unidos, mas também vem da direita histérica, que não está disposta a tolerar o menor grau de esquerdismo em ninguém.




O liberalismo, mesmo em sua vertente tida como a mais radical, encarnada na Escola Austríaca de Economia e mesmo na opinião de um de seus líderes mais idealistas (Ludwig von Mises), jamais negou que o estado seja necessário, conforme demonstramos num artigo anterior.

Agora, pretendo usar o pensamento de Frederich August von Hayek (1899 - 1992), conforme registrado no clássico O Caminho da Servidão, para mostrar que o estado pode ter atribuições que vão muito além daquelas que muitos liberais imaginam. Vamos discutir, com cuidado, alguns dos trechos em que Hayek expressa sua visão sobre a função do estado e seus limites numa sociedade livre.

1. O governo deve intervir na economia?

Muitos liberais acreditam que o liberalismo está necessariamente atrelado à Doutrina laissez-faire, aquela posição dogmática de que o estado não deve interferir em hipótese alguma na economia e na sociedade e de que quanto maior a inércia e a impotência do estado, melhor. Quanto à isso Hayek diz:






Este post é uma tentativa de refutar este texto.
Acredito que o debate será bem didático para que meus leitores entendam um pouco mais do debate entre liberais e marxistas. 

Em primeiro lugar, gostaria de elogiar o texto. Ele está muito acima da média dos argumentos que a esquerda vem usando e mostra que existem pessoas na esquerda que querem o debate sério. Mas pra mim, o texto não trouxe nenhuma novidade e por isso não me convenceu, pelo contrário, serviu pra mostrar que eu realmente não subestimei o marxismo.

Em segundo lugar, devo deixar claro que pretendo apenas refutar o texto em questão e não o próprio Marx. Se o texto reflete ou não o pensamento de Marx ou se em Marx estão as respostas para as objeções que faço aqui, isso não vem ao caso.

Outra coisa que quero explicar antes de começar, é que o texto com o qual estou debatendo não é bem uma refutação da Escola Austríaca ao contrário do que alardeia e sim apenas uma reafirmação do pensamento marxista. O único ponto que ele realmente tenta atacar é a Teoria do Valor Subjetivo, que é um ponto fundamental para a Escola Austríaca, é verdade, mas que não é exclusivo dela. Na verdade toda a economia neoclássica está baseada na Teoria do Valor Subjetivo. Ela foi formulada quase que simultaneamente por Menger na Áustria e também por Walras na França, um economista que influenciou toda a Economia Neoclássica e que usava uma metodologia muito diferente daquela de Menger e da Escola Austríaca.

Vou transcrever apenas os pontos-chaves do texto, porque não vale a pena colocar trechos inteiros aqui. Se você quiser ler o texto inteiro, clique aqui. Depois de cada transcrição, coloco a minha objeção àquele ponto específico.
Vou pular toda a parte que fala sobre o Materialismo Histórico por enquanto, mas vou tratar dele adiante.

A história já provou que o socialismo e o excesso de intervenção do estado na economia não funcionam. O fracasso destes modelos foram recorrentes ao longo dos anos, mas as evidências continuam aparecendo ainda hoje. A história do fracasso do estatismo ainda está sendo escrita neste exato momento.
Estamos vivendo um momento interessante da nossa história em que aparecem fatos que mais uma vez comprovam a validade das teorias que nós liberais sempre defendemos. Aqui estão alguns destes fatos, conforme comentamos em posts recentes no nosso blog e na nossa página do Facebook:

1. Merkel Wins
Texto publicado em: 19/12/2014




A mídia foi discreta, os fatos foram abafados pelas polêmicas em torno do Bolsonaro e da aproximação entre EUA e Cuba, mas aqui está um fato realmente importante e que pode mudar os rumos da economia mundial. Sim, pois caso ainda exista racionalidade e bom senso no mundo, políticos e economistas deverão tirar conclusões definitivas destes dados.

Contra tudo e contra todos, a Alemanha optou pela austeridade para enfrentar a crise européia. Keynesianos, socialistas e estatistas de todos os matizes condenaram tais políticas, demonizaram a chanceler Angela Merkel e fizeram previsões mais do que pessimistas.

No primeiro trimestre, o mercado esperava um crescimento de 0,7% do PIB alemão. O crescimento foi de 0,8%. [1] No segundo trimestre houve uma leve contração e os alarmistas logo previram outra contração no terceiro trimestre, caracterizando portanto uma recessão técnica. [2]
O PIB cresceu 0,1% E NÃO HOUVE RECESSÃO. [3]
E agora, um aumento no consumo interno e uma maior confiança dos empresários, garantem o crescimento e uma leve recuperação no quarto trimestre. [4]

ACABOU! A AUSTERIDADE VENCEU! As teses intervencionistas foram derrubadas de vez.

Em contraste, comentamos meses atrás sobre um país que seguiu o caminho contrário e se meteu em sérios problemas: O Japão. [5] Não se iludam. Líderes políticos e economistas no mundo inteiro estão muito atentos aos resultados destas políticas e estão muito melhor informados sobre isso tudo do que nós. As recentes atitudes do governo Dilma, de adotar políticas mais austeras e as intenções de François Hollande de liberalizar a economia francesa, certamente foram baseadas nestes resultados.

Escrevam o que eu digo: O impacto destes resultados serão imensos.

A propósito, você sabia que a Alemanha se recuperou da II Guerra Mundial até chegar a ser uma das economias mais sólidas do mundo, graças ao "ordoliberalismo"? [6]

Fontes:
[1] http://www.dw.de/economia-alemã-registra-maior-crescimento-trimestral-em-três-anos/a-17638205
[2] http://www.cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FEconomia%2FAlemanha-ameacada-de-recessao-no-terceiro-trimestre-euro-em-serio-perigo-%2F7%2F31454
[3] http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRKCN0J90PX20141125
[4] http://exame.abril.com.br/economia/noticias/confianca-empresarial-da-alemanha-indica-4o-trimestre-melhor
[5] http://www.porcocapitalista.com.br/2014/09/o-fracasso-da-abenomics.html
[6] http://veja.abril.com.br/noticia/economia/o-segredo-da-alemanha-sao-os-ordoliberais



2. O  Fracasso da Abenomics
Texto publicado em: 11/09/2014



Em dezembro de 2012, Shinzo Abe foi eleito primeiro-ministro do Japão com a promessa de reanimar a economia japonesa, estagnada desde o estouro da bolha imobiliária em 1990. Além da estagnação, a economia japonesa sente o peso de uma dívida pública de 226% do PIB, a maior do mundo. A receita do primeiro-ministro nipônico, que ficou conhecida como "As três flechas", consistiam em: Intensa expansão monetária, aumento dos gastos públicos, aumento de impostos e "reformas estruturais" (Até agora, poucas destas reformas foram anunciadas e menos ainda foram postas em prática).

Apesar de ser considerado um político de direita, nenhum liberal no ocidente via com bons olhos estas políticas. E é inegável que as promessas de Shinzo Abe foram cumpridas: Ao longo de 2013, o Banco Central do Japão aumentou suas compras de títulos da dívida pública em 60%, ou seja, em 50 bilhões de euros (algo equivalente a todo o gasto público anual da Espanha). Adicionalmente, para 2014, está prevista a compra de outros 50 bilhões, desta maneira duplicando a base monetária japonesa em relação ao nível vigente em 2012.

No que mais, também em 2013, os investimentos públicos vivenciaram seu maior aumento desde o início da década de 1990 (em 11,3%), elevando os gastos do governo ao nível mais alto de sua história e o déficit orçamentário a um dos mais elevados (cerca de 9% do PIB).

Neste mesmo período, o iene se desvalorizou quase 20% em relação ao dólar.
Tal desvalorização, pensava-se, ajudaria a estimular as exportações. Na verdade o efeito não foi o esperado e em março de 2014, o Japão teve o maior déficit comercial da história do país.

Em abril, o governo implementou o primeiro aumento de impostos sobre o consumo em 17 anos. A medida foi criticada até por economistas de viés mais keynesiano.

E os resultados?
Um fiasco obviamente. Em 2013, o PIB japonês cresceu o mesmo que em 2012, quando ainda não havia Abenomics. E esta semana, saiu a notícia de que o PIB japonês havia caído 1,8% no segundo trimestre de 2014 em relação ao trimestre anterior. É a maior queda desde 2011. A queda no PIB já é de 7,1% em termos anualizados.

Diante do evidente fracasso destas medidas, ainda teve gente com cara de pau o suficiente para ultrapassar todos os limites da desonestidade e dizer que a culpa disso tudo é de supostas políticas de "austeridade". Da pra acreditar numa porcaria dessas?


Leia também este texto do blog do Instituto Mises Brasil com mais algumas informações sobre a atual situação da economia japonesa.


3. Cuba será a nova China
Texto publicado em: 21/12/2014



Os socialistas que ainda hoje se prestam ao trabalho de defender o regime econômico vigente em Cuba e suas supostas conquistas fazem um papel ridículo, já que nem o próprio governo cubano acredita mais neste sistema. Já ouviu a expressão "mais católico que o papa"? Então! Estes são mais castristas que os Castro.
Sim, Fidel Castro já confessou que o modelo cubano não funcionou nem em Cuba. [1]

A esquerda festeja o anúncio de retomada das relações entre Estados Unidos e Cuba e a possibilidade do fim do embargo, que de acordo com a propaganda do governo cubano, é a raiz de todos os males pelos quais a ilha passa. Os políticos de esquerda, realmente têm o que comemorar, mas os idealistas, ou melhor, aqueles que Lenin chamava de "idiotas úteis", deveriam lamentar o fim de um dos últimos regimes econômicos plenamente socialistas que ainda restam no mundo. Agora só restará a Coréia do Norte.
Digo isso porque, embora Raul Castro tenha negado que esta retomada das relações com os Estados Unidos signifique o fim do socialismo, é isso que na prática vai acontecer. Bom, na verdade isso vai depender do que você chama de socialismo.

As evidências apontam que Cuba seguirá o modelo chinês. Uma forma de capitalismo de estado, onde o estado continua interferindo na economia a fim de manter os privilégios dos amigos do rei, mas mantém uma parcela de livre mercado suficiente para que a economia siga operando. Claro, o sistema político continuará sendo autoritário e os líderes continuarão jurando até a morte que o que existe no país ainda é o mesmo socialismo de sempre.

Mas como eu sei que Cuba seguirá o modelo chinês?
Bom, em primeiro lugar porque Cuba já iniciou uma pequena abertura. Primeiro abrindo o mercado automobilístico [2] e privatizando restaurantes e outros pequenos negócios. [3]
No ano passado, Cuba aprovou uma nova Lei para o Investimento Estrangeiro que contempla autorizar a participação de capital externo "em todos os setores", com exceção dos “serviços de saúde e educação e de todas as instituições armadas”. O projeto promete a isenção de impostos e “plena proteção e segurança jurídica” e estabelece que as empresas estrangeiras “não poderão ser expropriadas, salvo por motivos de utilidade pública ou interesse social” e que, quando isso ocorra, os proprietários receberão “a devida indenização”. [4]

Mas não é só isso. Cuba pretende seguir o modelo chinês e criar "Zonas Econômicas Especiais" [5] Pequenas ilhas de capitalismo dentro de um sistema que no geral se mantém em grande parte, socialista.

Pelo menos foi isso o que disse alguém que aparentemente sabe de coisas que eu e você não sabemos: O diretor da FIESP, neste vídeo em que ele defende a construção do Porto de Mariel com dinheiro brasileiro. [6] O que agora, quando começamos a descobrir coisas que ele já sabia há muito tempo, realmente parece ter sido um bom negócio. (Não para o povo brasileiro evidentemente)

Também nós liberais não vemos motivos pra comemorar. Mais um tentará aplicar a fórmula da ditadura perfeita. Ou quem sabe, não tão perfeita assim. Se o modelo chinês parece ser o sonho de qualquer ditador, para os próprios líderes chineses este sonho pode estar perto do fim com a visível desaceleração da economia chinesa e os rumores de uma imensa bolha no mercado imobiliário.

[1] http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2010/09/795803-modelo-economico-cubano-nao-funciona-mais-para-nos-diz-fidel-castro.shtml
[2] http://economia.terra.com.br/cubanos-podem-comprar-carros-novos-pela-pela-1-vez-desde-1959,640c681c2c253410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html
[3] http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?id=1403207&tit=Prato-do-dia-privatizacao
[4] http://brasil.elpais.com/brasil/2014/03/26/economia/1395865435_435722.html
[5] http://en.wikipedia.org/wiki/Special_Economic_Zones_of_the_People%27s_Republic_of_China
[6] https://www.youtube.com/watch?v=Y4pQQIn0Dus



4. Irlanda, os Porcos e a Fênix.
Texto publicado em: 16/02/2015



Gregos, espanhóis e italianos, estariam bem melhor se levassem a austeridade a sério, se promovessem reformas estruturais internas para melhorar a competitividade de suas economias e se tivessem um pouquinho mais de paciência para esperar a recuperação, que pode ser bem lenta.

A prova disso é a sólida recuperação da Irlanda, que já vem sendo chamada de a "Fênix Celta" (Em referência ao título que o país ostentava até antes da crise de "Tigre Celta"), graças ao fato de estar realmente, renascendo das próprias cinzas. [1]

Algo bastante revelador, já que o país fazia do grupo dos PIIGS - Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanaha - a semelhança do termo com a palavra PIGS (porcos em inglês) não é mera coincidência, o termo foi cunhado para ser depreciativo mesmo.

Quem acompanha nossa página há bastante tempo sabe que eu sempre apostei na recuperação da Irlanda. A prova está aqui: Leiam meus comentários neste post de Maio de 2012 [2].
É surpreendente ver a forma como os fatos só têm contribuído para confirmar a validade daquilo que sempre afirmamos aqui. Mas infelizmente fatos como estes recebem pouca atenção da mídia, que prefere alardear sobre a vitória da esquerda radical na Grécia e a possível vitória desta na Espanha, criando a falsa impressão de que a austeridade falhou e os resultados políticos deste fracasso se concretizam.

É desesperador ver a forma como a midia e os comentaristas econômicos vêm tratando os fatos nos últimos meses. É desesperador ver o tamanho da cegueira que atinge muitos dos nossos formadores de opinião.
Diante de fatos como por exemplo, o enorme superávit comerical alemão, prova irrefutável da pujança de sua economia, alguns argumentam que isso na verdade prova o quanto as políticas defendidas pela Alemanha não estão funcionando, já que o euro enquanto uma moeda forte, favorece as exportações alemãs e prejudica as exportações dos países periféricos, atrapalhando sua recuperação. Resumindo, se a economia alemã é "competitiva demais" e as economias periféricas da zona do euro, não conseguem tanto, a culpa é da Alemanha. [3]

Estes supostos economistas parecem ter se esquecido até do simples significado da palavra "competitiva". Mas só pra refrescar-lhes a memória, lembro que o termo "competitiva" que usam para se referir a economia alemã, vem de competição, e competição implica que uns vencem e outros perdem. Mas se a competição se dá de forma limpa, não há problema nenhum, pelo contrário, é algo saudável. Os países periféricos da Zona do Euro é que precisam se tornar mais competitivos, e devem alcançar este objetivo simplesmente oferencendo algo para o mundo ao invés de tentarem recorrer ao artifício da desvalorização da moeda.

Mesmo uma economia periférica e pequena pode se tornar competitiva e altamente exportadora. A Irlanda é a prova disso.

[1] http://exame.abril.com.br/economia/noticias/fenix-celta-irlanda-foi-surpresa-de-2014-na-europa
[2] https://www.facebook.com/porcocapitalista/photos/a.215726958544754.46765.168100783307372/220886398028810/
[3] http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/32408/comissao+europeia+anuncia+investigacao+de+superavit+da+alemanha+.shtml


Yusnaby Pérez é um blogueiro e fotógrafo cubano que revela ao mundo a verdade sobre Cuba através das fotos que posta pelas redes sociais. Suas fotos são incríveis e poderosas pois simplesmente desmentem de forma inequívoca, o mito sobre a prosperidade da ilha socialista.

Aqui, escolhi algumas das fotos que julguei mais interessantes do seu álbum no Facebook.
Clique nas imagens para vê-las ampliadas.



Pessoas procurando comida no lixo



Esta, na minha opinião, é uma das mais reveladoras. 
Morador de rua, num dia de muita sorte, 
encontra um punhado de macarrão no lixo.





Pessoas dormindo nas ruas. Moradores de 
rua no maravilhoso e utópico socialismo.



Exemplo de saneamento: Homem lava 
as mãos numa poça d'água.



Segundo o blogueiro, neste prédio você só pode 
usar água de 3 em 3 dias e em certa quantidade.



Na escadaria do prédio, alguém avisa: 
Proibido usar água, a cisterna está contaminada.



Transporte público em Cuba



Transporte escolar. Bom, mas pelo 
menos elas estão na escola não?



E na Escola eles aprenderão a ser 
cidadãos autônomos, criativos, 
críticos e com opinião própria.




Parece o Haiti, mas é Cuba.



No socialismo as crianças aprendem a dividir 
desde cedo. Aqui, 4 meninas dividem uma 
mesma boneca. Isso é solidariedade, 
coisa que vocês capitalistas jamais entenderão.




Açougue cubano. Socialistas dirão que é montagem. 
Alguém colocou a foto do Fidel e a bandeira 
cubana nestas fotos usando Photoshop.





Comércio em Cuba. Tudo é vendido 
de forma racionada pra 
quem não tem dólares americanos.



Até absorvente é racionado.




Assim é o comércio racionado em Cuba. 
Afinal, nada de consumismo, né galera?



Cenário de um filme pós-apocalíptico de zumbi? 
Não. É a vida real em Cuba.
Foi pra isso que Che Guevara 
matou tanta gente?