É muito difícil desvendar as reais posições do papa Francisco, isso por que a mídia tenta criar seu próprio papa, à sua própria imagem e semelhança, distorcendo o discurso de Francisco de acordo com sua própria conveniência. Já venho denunciando isso em nossa página no Facebook, repetidas vezes. Neste texto, tentarei ser o mais imparcial possível, para não cair neste mesmo erro.
As distorções e mentiras são tantas, que muitos dos títulos e chamadas das matérias que usarei aqui como fontes, podem até mesmo estar em contradição com a afirmação que faço, mas tentem se focar nas falas do próprio papa.

A acusação de que o papa seria marxista ou comunista, vêm tanto da esquerda, por vezes com o objetivo de sequestrar para si, a imagem de um papa carismático e popular e assim, atrair pessoas para a sua ideologia, ou ainda, com o objetivo de jogar os conservadores contra o líder maior da igreja, dividindo dois grupos que tradicionalmente estiveram unidos, mas também vem da direita histérica, que não está disposta a tolerar o menor grau de esquerdismo em ninguém.




O liberalismo, mesmo em sua vertente tida como a mais radical, encarnada na Escola Austríaca de Economia e mesmo na opinião de um de seus líderes mais idealistas (Ludwig von Mises), jamais negou que o estado seja necessário, conforme demonstramos num artigo anterior.

Agora, pretendo usar o pensamento de Frederich August von Hayek (1899 - 1992), conforme registrado no clássico O Caminho da Servidão, para mostrar que o estado pode ter atribuições que vão muito além daquelas que muitos liberais imaginam. Vamos discutir, com cuidado, alguns dos trechos em que Hayek expressa sua visão sobre a função do estado e seus limites numa sociedade livre.

1. O governo deve intervir na economia?

Muitos liberais acreditam que o liberalismo está necessariamente atrelado à Doutrina laissez-faire, aquela posição dogmática de que o estado não deve interferir em hipótese alguma na economia e na sociedade e de que quanto maior a inércia e a impotência do estado, melhor. Quanto à isso Hayek diz:






Este post é uma tentativa de refutar este texto.
Acredito que o debate será bem didático para que meus leitores entendam um pouco mais do debate entre liberais e marxistas. 

Em primeiro lugar, gostaria de elogiar o texto. Ele está muito acima da média dos argumentos que a esquerda vem usando e mostra que existem pessoas na esquerda que querem o debate sério. Mas pra mim, o texto não trouxe nenhuma novidade e por isso não me convenceu, pelo contrário, serviu pra mostrar que eu realmente não subestimei o marxismo.

Em segundo lugar, devo deixar claro que pretendo apenas refutar o texto em questão e não o próprio Marx. Se o texto reflete ou não o pensamento de Marx ou se em Marx estão as respostas para as objeções que faço aqui, isso não vem ao caso.

Outra coisa que quero explicar antes de começar, é que o texto com o qual estou debatendo não é bem uma refutação da Escola Austríaca ao contrário do que alardeia e sim apenas uma reafirmação do pensamento marxista. O único ponto que ele realmente tenta atacar é a Teoria do Valor Subjetivo, que é um ponto fundamental para a Escola Austríaca, é verdade, mas que não é exclusivo dela. Na verdade toda a economia neoclássica está baseada na Teoria do Valor Subjetivo. Ela foi formulada quase que simultaneamente por Menger na Áustria e também por Walras na França, um economista que influenciou toda a Economia Neoclássica e que usava uma metodologia muito diferente daquela de Menger e da Escola Austríaca.

Vou transcrever apenas os pontos-chaves do texto, porque não vale a pena colocar trechos inteiros aqui. Se você quiser ler o texto inteiro, clique aqui. Depois de cada transcrição, coloco a minha objeção àquele ponto específico.
Vou pular toda a parte que fala sobre o Materialismo Histórico por enquanto, mas vou tratar dele adiante.