O papa Francisco não é socialista



É muito difícil desvendar as reais posições do papa Francisco, isso por que a mídia tenta criar seu próprio papa, à sua própria imagem e semelhança, distorcendo o discurso de Francisco de acordo com sua própria conveniência. Já venho denunciando isso em nossa página no Facebook, repetidas vezes. Neste texto, tentarei ser o mais imparcial possível, para não cair neste mesmo erro.
As distorções e mentiras são tantas, que muitos dos títulos e chamadas das matérias que usarei aqui como fontes, podem até mesmo estar em contradição com a afirmação que faço, mas tentem se focar nas falas do próprio papa.

A acusação de que o papa seria marxista ou comunista, vêm tanto da esquerda, por vezes com o objetivo de sequestrar para si, a imagem de um papa carismático e popular e assim, atrair pessoas para a sua ideologia, ou ainda, com o objetivo de jogar os conservadores contra o líder maior da igreja, dividindo dois grupos que tradicionalmente estiveram unidos, mas também vem da direita histérica, que não está disposta a tolerar o menor grau de esquerdismo em ninguém.




Afirmo: O papa não é marxista. Como eu sei disso? Bom, acho que podemos pelo menos tentar ouvir o que o próprio papa tem a dizer, certo? Então, ele mesmo disse que não é marxista.
Mas parece óbvio que o papa é de esquerda, isso não dá pra negar. Por sinal, muito de esquerda pro meu gosto, mas sem problemas, afinal a Doutrina Social da Igreja (vamos falar bastante dela aqui) abre certa margem para a escolha de posições políticas e, na minha opinião, o papa não foi além dessa margem.

Para a tristeza dos ideólogos de esquerda, o papa, mais recentemente, vem exortando os fiéis a olharem para o mundo livres dos filtros ideológicos e chegou a dizer que as ideologias, sempre terminam em ditadura. Ele também condenou as tentativas de instrumentalizar os seus discursos para fins políticos, pedindo que interpretem sua fala à luz da correta hermenêutica. Nas vezes em que foi acusado de comunista, socialista e até quando perguntaram se ele era social-democrata, o papa negou, dizendo que não prega nada além daquilo que a Doutrina Social da Igreja sempre ensinou. Mas o que a Doutrina Social da Igreja sempre ensinou? Bom, com certeza, coisas diametralmente opostas àquilo que o socialismo e o marxismo pregam. Coisas como o Princípio da Subsidiariedade por exemplo. Leia este texto para entender melhor este princípio.

"Ah! Mas o papa vem frequentemente criticando o capitalismo!" - Já cansei de ver notícias na grande mídia e em sites de esquerda, dizendo que o papa "voltou a criticar o capitalismo em seu mais recente pronunciamento." E aí, quando você procura pela fala original do papa, para conferir as palavras exatas que ele usou, que supresa: Termos como "capitalismo" ou "capitalista", nem aparecem no texto. Isso é bastante fácil de se constatar, alguns navegadores de internet permitem que você procure por um termo específico que esteja aparecendo na página web que você tem aberta. Abra as duas encíclicas do papa (Evangelii Gaudium e Laudato Si) e observe quantas vezes estes termos aparecem. Nem no discurso dirigido aos movimento sociais na Bolívia, considerado o seu discurso mais "anti-capitalista", o termo "capitalismo" é mencionado.

Na verdade, o que o papa vem criticando reiteradamente é o atual sistema econômico, a atual economia global tal como ela É. Este sistema até pode ser chamado de capitalista, mas "capitalismo" é um conceito bastante ambíguo e impreciso. Dependendo do que você chama de capitalismo, a posição da Igreja pode ser positiva ou negativa, conforme explicou o papa João Paulo II na encíclica Centesimus Annum.
O papa também se posiciona contra o capitalismo sem regras, posição esta que seus antecessores, considerados mais "conservadores" também adotaram. Os papas frequentemente pedem uma maior regulamentação dos mercados financeiros, a fim de combater a excessiva financeirização da economia e a especulação. Uma ideia da qual não sou totalmente adepto, mas que acho que vale a pena ser debatida. Mas o que muitos ignoram, é que o capitalismo e a economia de mercado vão muito além dos mercados financeiros. Há todo um enorme microcosmo capitalista, pulsando em vida abaixo dos mercados financeiros e em partes até independente dele.

E por fim, o papa não poderia ser socialista, mesmo que quisesse, pelo menos não sem contradizer toda a tradição católica que sempre denunciou o socialismo e o comunismo, mesmo em suas vertentes mais moderadas. [1] O papa Pio XII chegou a emitir um "Decreto contra o Comunismo", através do qual estabelecia que qualquer católico que sequer contribuísse com uma organização comunista, estaria automaticamente excomungado. Tampouco o papa é um adepto da Teologia da Libertação, teologia esta condenada pelo seu antecessor, Bento XVI, o mesmo Bento XVI que o auxiliou na redação de suas mais recentes encíclicas.

E pra encerrar, gostaria agora de dar um banho de água fria definitivo nesta esquerda que quer se apropriar do papa. Gostaria de lembrar algumas posições "conservadoras" do papa, que não mudaram em relação aos seus antecessores e que nunca, vejam bem NUNCA, vão mudar.
O papa é contra o aborto, contra a eutanásia, contra a ideologia de gênero, é contra a descriminalização das drogas (Cadê o pessoal que dizia que ele era uma versão de batina do Mujica?), contra o casamento gay e demonstrou preocupação com a situação da família tradicional. Na verdade o Vaticano lamentou a aprovação do Casamento Gay na Irlanda, um país de maioria católica. (A galera das fotinhas coloridas no Facebook não curtiu isso) 
Mas muitos na esquerda progressista continuarão falando do papa como se este fosse "um dos seus", sempre que for conveniente. 
Até quando o papa se manifesta contra a pena de morte, ele o faz ressaltando a importância do Estado de Direito, princípio este que muitos na esquerda enxergam como uma mera "formalidade burguesa".
Justamente por conta dessas posições que desagradam tanto gregos quanto troianos, dessa independência e isenção, considero o papa Francisco alguém confiável, apesar de discordar dele em tantos pontos. Afinal, não é fácil para nenhum líder no mundo hoje, permanecer firme em convicções "conservadoras" como estas últimas que citei, com todo o lobby progressista em marcha atualmente.

[1] “(...) Entre comunismo e cristianismo, o pontífice [Papa Pio XI] declara novamente que a oposição é radical, e acrescenta não se poder admitir de maneira alguma que os católicos adiram ao socialismo moderado: quer porque ele foi construído sobre uma concepção da vida fechada no temporal, com o bem-estar como objetivo supremo da sociedade; quer porque fomenta uma organização social da vida comum tendo a produção como fim único, não sem grave prejuízo da liberdade humana; quer ainda porque lhe falta todo o princípio de verdadeira autoridade social. (...)” (Encíclica Mater et Magistra, 15 de Maio de 1961, 34)

2 comentários:

  1. Como v., não digo que o papa Francisco seja marxista, mas saber ao todo e explicar seu ultra apoio às esquerdas - NUNCA AS ATACANDO, o quanto lhes basta - como ao contrario faziam os 2 antecessores e todos os papas antes do Vaticano II.
    Em especial, a corja do MST e similares atuantes e inimigos da Igreja eufóricos, recebidos e discursando até dentro do Vaticano, apoio às ideias do Cardeal Kasper e seus associados - os conservadores contra ele - não refutação da esquerdista TL, apoio aos movimentos sociais(milicias comunistas) e visitas cordiais demais a comunistas da pesada, tipo Castro, sem restrições aos regimes genocidas comunistas, amizades com ateus tipo Scalfari e super apoio a protestantes?

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  2. Tenho minhas dúvidas se lhe dou razão, principalmente levando-se em conta o conhecimento dos fatos levantados pelo "anônimo". Lembro que "isentão" é a face moderna do marxista infiltrado no rebanho e que a liberdade de culto era cerceada na URSS, sobrando apenas o ateísmo como "religião" oficial.

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