Refutando o texto que supostamente refutou a Escola Austríaca





Este post é uma tentativa de refutar este texto.
Acredito que o debate será bem didático para que meus leitores entendam um pouco mais do debate entre liberais e marxistas. 

Em primeiro lugar, gostaria de elogiar o texto. Ele está muito acima da média dos argumentos que a esquerda vem usando e mostra que existem pessoas na esquerda que querem o debate sério. Mas pra mim, o texto não trouxe nenhuma novidade e por isso não me convenceu, pelo contrário, serviu pra mostrar que eu realmente não subestimei o marxismo.

Em segundo lugar, devo deixar claro que pretendo apenas refutar o texto em questão e não o próprio Marx. Se o texto reflete ou não o pensamento de Marx ou se em Marx estão as respostas para as objeções que faço aqui, isso não vem ao caso.

Outra coisa que quero explicar antes de começar, é que o texto com o qual estou debatendo não é bem uma refutação da Escola Austríaca ao contrário do que alardeia e sim apenas uma reafirmação do pensamento marxista. O único ponto que ele realmente tenta atacar é a Teoria do Valor Subjetivo, que é um ponto fundamental para a Escola Austríaca, é verdade, mas que não é exclusivo dela. Na verdade toda a economia neoclássica está baseada na Teoria do Valor Subjetivo. Ela foi formulada quase que simultaneamente por Menger na Áustria e também por Walras na França, um economista que influenciou toda a Economia Neoclássica e que usava uma metodologia muito diferente daquela de Menger e da Escola Austríaca.

Vou transcrever apenas os pontos-chaves do texto, porque não vale a pena colocar trechos inteiros aqui. Se você quiser ler o texto inteiro, clique aqui. Depois de cada transcrição, coloco a minha objeção àquele ponto específico.
Vou pular toda a parte que fala sobre o Materialismo Histórico por enquanto, mas vou tratar dele adiante.



"Não existe bem ou valor sem o trabalho empregado."
"sem trabalho, sem valor"
Concordo. O problema é mensurar o valor do trabalho.
O trabalho tem seu valor determinado por sua utilidade e utilidade é subjetivo.

"Valor-de-uso é como uma mercadoria tem valor em suas características intrínsecas, ou seja, tênis para calçar, água para beber."
O valor de uso não pode ser intrínseco. Ele é subjetivo. 
Algo só é útil, ou seja, só tem valor de uso, se as pessoas quiserem usar. E o que motiva uma pessoa a querer usar ou não uma mercadoria, são fatores subjetivos.
E mesmo quando a utilidade parece evidente para todos, a questão está em como medi-la, e não dá pra fazer isso olhando para suas qualidades intrínsecas.

"A sociedade compartilha valores e sensos estéticos."
"Esses valores que as mercadorias adquirem, como visto anteriormente, não são frutos  de uma subjetividade, pois ninguém nasce sabendo disso. Mas sim, são valores objetivados pelo meio e a cultura que vivemos, e compõe, como Marx mostrava, um hieroglifo social."
Aqui o texto chega num ponto interessante. Eu concordo que o valor que atribuímos às mercadorias, assim como todo o nosso sistema de valores de uma forma geral, é algo que aprendemos com o meio social e a cultura em que vivemos.
Só que isso não se restringe ao capitalismo. Toda sociedade terá seu sistema de valores que será socialmente construído e colocado na cabeça das pessoas de fora pra dentro. Isso é inevitável. A questão é: Por que trocar um sistema de valores, uma "ideologia" (no sentido que Marx dá ao termo) ou uma superestrutura por outra?
Se não for a publicidade na TV, por exemplo, me dizendo o que desejar, será o estado, ou um conselho de sovietes, ou uma autoridade religiosa, enfim, de uma forma ou de outra é algo que aprendemos de fora. Por que então trocar seis por meia dúzia? Sabemos que o chamado socialismo real jogou fora a superestrutura capitalista apenas para colocar em seu lugar um estado totalitário que ditava para as pessoas o que era melhor pra elas. Foi uma boa troca?
Outra coisa: Aprendemos valores com o meio social em que vivemos, mas isso acontece de forma muito complexa, na verdade acontece de forma indecifrável, por isso não faz sentido tratar de valor como se fosse algo objetivo. Falarei mais disse adiante.

"Na filosofia, três conceitos dizem respeito às escolhas do indivíduo, e que são pontos fundamentais no debate sobre a teoria do valor. O primeiro é a do determinismo, que entende que toda ação pode ser explicada por fenômenos de casualidades anteriores. Já o incompatibilismo tenta provar que, por mais que hajam influências, a decisão, em última análise, é do indivíduo. E há uma visão intermediária, na qual há um entendimento que fatos passados não determinam, mas sim, condicionam a ação humana. A mais aceita no pensamento é a visão intermediária de condicionamento.

E o que dizem a maioria dos filósofos? Spinoza (1677) e, até mesmo, Locke (1689) descartam o livre-arbítrio. Schopenhauer(...)"
Eu discordo radicalmente nesse ponto. O materialismo, pelo menos o marxista, não é adepto da tese do condicionamento e sim do determinismo, por mais que negue isso. O empirismo, como o de Locke, este sim acredita no condicionamento.
Qual a diferença? Este é um ponto no qual vale a pena aprofundar o debate, então vamos lá...

Somos condicionados? Tanto o empirismo quanto o materialismo acreditam que sim, que somos condicionados. Como? 
O empirista diria: Só Deus sabe!
O materialista diria: Eu sou Deus, portanto sei!
Sim, a diferença está na pretensão do conhecimento.

Um empirista realmente adepto da tese do condicionamento, diria que somos condicionados por fatores inumeráveis que se relacionam de uma forma incompreensivelmente complexa. É impossível mapear todas as relações de causa e efeito que nos condicionam.

Abaixo segue uma explicação do psicólogo Steven Pinker, que tem algumas posições que eu interpreto como próprias do empirismo, bem na linha lockeana de "tabula rasa", falando justamente de livre arbítrio:





E o que pensa então o materialismo? E por que digo que ele é determinista?
Ele é determinista justamente quando trata valor como algo objetivo. Ele é determinista quando subestima a complexidade das relações humanas e da mente humana, por mais que negue estar fazendo isso. É determinista na medida em que raciocina como se pudesse enxergar claramente todas as relações de causa e efeito que nos condicionam.

"Para que haja um melhor entendimento, é preciso responder à uma pergunta: O que vem primeiro, a oferta ou a demanda?"
Esta é uma pergunta do tipo "O que vem primeiro, o ovo ou a galinha?". No começo do texto o autor diz que as relações em infraestrutura e superestrutura, entre concreto e abstrato e por que não, entre oferta e demanda, é uma via de mão dupla e eu concordo. Pena que o próprio autor ignora isso depois.
Eu poderia explicar aqui que o mercado é um processo em que uma coisa está sempre interagindo com a outra, buscando um equilíbrio, até que, conforme explicou Schumpeter, um empreendedor descobre (ou cria, como queira) uma nova necessidade, causando novamente o desequilibrio, mas estas são questões elementares de economia que não vêm ao caso aqui.

"É isso que o capitalismo faz o tempo todo, cria necessidades."
Toda sociedade humana cria necessidades. É natural do ser humano criar necessidades. É isso que nos diferencia dos animais. É isso que faz o ser humano desejar inúmeras coisas, não só mercadorias, mas coisas como amor, amizade, arte, beleza, diversão, etc. Coisas que vão muito além das simples "necessidades" fisiológicas.

"Ou seja, nada disso tem a ver com suas escolhas subjetivas, mas com o contexto social que você vive, e isso é objectivado."
Voltamos a esta questão e isso era de se esperar, afinal, é aqui que está a fonte de toda a discórdia. Aprendemos a atribuir valor com o meio onde vivemos, fato. Mas isso não é restrito ao capitalismo, pois toda sociedade SEMPRE terá seu sistema de valores. Por que trocar um conjunto de valores por outro? Ou melhor: De que forma este conjunto de valores nos será colocado? De que forma nossos valores serão criados depois que jogarmos fora toda a superestrutura capitalista? Os marxistas ainda não me convenceram.
E como eu disse antes, é um erro dizer que isso é "objetivado". Cada vez que os marxistas tratam a construção do valor como algo objetivo, estão dizendo que as relações sociais, bem como o processo mental que constrói nossas noções de valor, podem ser conhecidas objetivamente o que é na verdade humanamente impossível. É por isso que no fundo, eles são deterministas.

"Mas aí você pode se perguntar, o homem sempre desejou se comunicar mais rápido? A resposta é não, as relações sociais demandaram um aperfeiçoamento da comunicação."
Pois é, muito além das necessidades criadas pelo simples marketing, há aquelas demandas geradas por necessidades anteriores. Uma necessidade gera outra, que gera outra, que gera outra. A necessidade de ter um carro gera a necessidade de combustível, de estradas, etc. E como é da natureza humana criar necessidades para muito além das fisiológicas, isso é inevitável.

"Outro exemplo, o meu preferido, é o padrão estético e os produtos e serviços de beleza. (…) Ou seja, o padrão estético almejado é informado e não formado. Em outras palavras, não é algo que as pessoas constroem em si, é algo dado, fornecido e que serve de referencial. Portanto é objetivo e não subjetivo."
Quando eu digo que esta é a fonte de toda a discórdia, não estou exagerando. Este é um tema muito recorrente nos meios de esquerda. Frequentemente os vemos questionar os padrões de beleza ou outros valores que eles descrevem como sendo "construção social" (e que muitas vezes são mesmo).

Nós temos algumas opções: Temos o padrão de beleza A. Temos o padrão de beleza B. Ou podemos tentar destruir toda a noção de beleza, o que na minha opinião é impossível. Quando o sujeito diz que somos condicionados a aceitar o padrão de beleza A, o que ele quer dizer com isso? Que podemos trocar o padrão A pelo padrão B? Sim, podemos, mas por que eu faria isso?
Esse sujeito vem me dizer que eu só acho que a mulher magra é bonita porque a TV e vários outros meios, me convenceram disso. OK, é verdade. Mas e daí? Só por isso eu devo passar a achar que o belo é a mulher gorda? Mas isso não seria trocar um padrão por outro? Uma construção social por outra?

E novamente o texto cai no erro de tratar a questão como objetiva. 

"Mas para que ela pudesse funcionar, era preciso que mais pessoas começassem a fumar. E elas não fariam isso do nada. Foi aí que Duke teve uma sacada brilhante: o marketing."

"Nesse caso, o valor-de-uso do cigarro é o prazer cerebral que o produto fornece, e o valor-de-troca é o status ou a sensação social que o tabaco traz."

Ora, mas afinal o valor é intrínseco ou ele é aprendido? Ele tenta me convencer de que as duas coisas acontecem ao mesmo tempo, mas isso é uma contradição. Não consigo ver de que forma as duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo. Vamos pegar o exemplo citado no texto: O cigarro. O cigarro não é uma necessidade. Não vamos morrer se ficarmos sem cigarro. Logo, a necessidade de fumar é criada em nós, como o próprio texto diz e eu concordo. Ora, se a necessidade NÃO existe, então o cigarro NÃO tem um valor intrínseco. O que nós aprendemos É subjetivo.
Parece que o autor do texto entende que pra ser "subjetivo" os valores teriam que brotar do nada na nossa mente, vindo do espírito, do mundo das ideias ou de alguma fonte metafísica, mas essa definição está bastante equivocada.

"Lá, Marx coloca que o fetiche nada mais é do que atribuir um valor-de-troca intrínseco ao produto."
Como é que você atribui algo que já é intrínseco? Se é intrínseco, não precisa ser atribuído, ou indepente do que atribuímos. Percebem a contradição?
Se uma mercadoria tem um valor intrínseco, esse valor é PERCEBIDO e não ATRIBUÍDO. Nós percebemos o valor intrínseco da comida quando sentimos fome, por exemplo, e perceberíamos ainda que não fôssemos dotados de razão. Este valor não precisa ser atribuído.
Ou para efeitos práticos: Se o valor é atribuído, então devemos medir o valor de uma mercadoria olhando para o que se atribui à ela e não para suas qualidades intrínsecas.
Mas veja bem, mesmo quando o valor é facilmente percebido, como no caso da comida, isso ainda não é motivo para tratá-lo como objetivo, pois a produção social da comida ainda depende de inúmeros outros fatores, todos eles complexos demais para serem tratados de forma objetiva. Sem contar o lado subjetivo da escolha quanto ao que comer. Comer é uma necessidade fisiológica evidente, mas se vamos comer um bife ou uma lasanha, depende de escolhas subjetivas.

"O consumo é condicionado à cultura, e essa ocorre de cima para baixo, ou seja, não surge a partir das pessoas, mas sim da superestrutura descrita em Marx."
Concordo que é condicionado, mas não é de cima pra baixo, é sim o resultado de uma relação complexa, não controlada por ninguém especificamente. Até as maiores empresas estão sujeitas às leis insensíveis do mercado. Lembra daquela ideia de via de mão dupla? Por que não retornamos à ela?

"o valor é objetivado por uma classe superior, detentora dos meios de produção e comunicação, e é passado para a massa."
Aqui está outro grande problema da metodologia marxista, além do já discutido materialismo, que é pretensiosamente determinista, o marxismo enxerga tudo pela ótica de classes, que é uma forma, se me permitem dizer, muito burra de ver as coisas. Em primeiro lugar porque não existem interesses de classe. Cada membro de uma classe tem interesses próprios que quase sempre entram em conflito com outros da mesma classe. Uma classe não age de maneira uniforme.
As empresas e a classe burguesa que as comandam, disputam a preferência dos consumidores. E sim, é o consumidor quem faz a escolha, e conforme já expliquei, por mais que essa escolha seja condicionada pelo meio, não é possível tratar essas escolhas de forma objetiva dada a complexidade dos fatores que as determinam.
As empresas influenciam o consumidor com o marketing  e com outras ferramentas, mas estão sujeitas não só à vontade de seus consumidores, mas também à concorrência com outras empresas e ao sistema de valores, à cultura na qual ela está inserida que não pode ser moldada por uma única pessoa, nem mesmo por um único grupo.
É por isso que socialistas costumam ver o mundo de forma tão distorcida, encaram o livre mercado capitalista, que é uma relação complexa, como se fosse uma imposição de cima para baixo ao mesmo tempo em que olham para o estado socialista, que é uma imposição de cima pra baixo, como se fosse algo mais democrático.

"Primeiro, porque não é descartado o valor subjetivo, como mostrado no texto. Segundo, porque há conflitos de interesse entre o próprio capital. Terceiro, porque a cultura é distinta no tempo e no espaço. Quarto, porque a teoria do valor trabalho não assume que o consumo seja determinado, mas sim, condicionado. E, por fim, porque o cérebro humano é muito complexo."
Legal é que o texto se auto-refutou aqui. Resumiram em um único parágrafo, todos os argumentos contra o marxismo.
Ele afirma que não ignora estes fatores mas na prática ignora sim. Afinal, onde é que isso tudo entra nessa história? E as implicações lógicas disso tudo? Como é que o socialismo resolve o problema do cálculo econômico? Como é que o socialismo calcula preços com base na Teoria do Valor Trabalho?
Li o texto até o final e não encontrei essas respostas. Talvez elas existam em Marx, mas o autor deste texto não foi capaz de mostrá-las. Na verdade, depois de tantos anos esperando um marxista que realmente desse essas respostas, fui me convencendo de que elas não existem e de que o marxismo é sim, algo do tipo "sorvete na testa". O materialismo histórico que é, gostem ou não, determinista e a luta de classes como método para explicar todos os conflitos sociais, são instrumentos estupidamente simplistas e pretensiosos.








25 comentários:

  1. Porco,

    olha só o que o autor do texto que vc refutou (Arthur Abdala) escreveu sobre ele mesmo em seu blog:

    "bacharel em economia... com experiência no mercado corporativo..."

    pô, trabalhando no mercado corporativo? coisa de capitalista... e vem falar em socialismo rsrsrsrs. Será que o tal mercado corporativo sobreviveria a um governo socialista? rsrsrs

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  2. Muito bom seu texto.
    Ao ler o textão do "raiz da questão" veio o sentimento de "eu vou refutar...-me".
    Mas o que dizer desse trecho?? hahahaha
    "Entretanto, não percebem que a esquerda está perdendo a primeira batalha: a ideológica. E, acreditem, esse é o argumento base da nova direita ultra liberal."

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    1. MARX: por Mises, por Marx (Parte 1)
      terça-feira, 8 de março de 2011 por Jorge Nogueira

      .Este é o primeiro de uma série de artigos onde são analisados e confrontados os escritos do liberal Ludwig von Mises (1881-1973) e do comunista Karl Marx (1818-1883). O que Mises disse que Marx disse? E o que Marx realmente disse? São as questões aqui levantadas e verificadas.

      Trata-se de um trabalho árduo, pela pesquisa que demanda, e polêmico, pelas idéias que envolve. Mas importante pela influência que exercem os dois autores.

      Como sugere o título do artigo, inicia-se pelas afirmações de Mises a respeito da teoria de Marx, ou seja, sobre "o que Mises disse que Marx disse". Na sequência compara-se as afirmações de Mises com as originais de Marx, ou seja, com "o que Marx realmente disse".

      Todos os grifos nas citações foram feitos por mim. Nas citações de Mises são destacados os trechos que são comparados com Marx. Já no autor comunista é destacado aquilo que responde mais diretamente as afirmações de Mises.

      Para um melhor acompanhamento do leitor são reproduzidos, muitas vezes, citações longas, principalmente de Mises. O objetivo dessa metodologia é permitir que o leitor possa visualizar de forma mais precisa o desenvolvimento das idéias do autor.

      Foram considerados os trechos de Mises que se dirigem mais diretamente a Marx e sua teoria. Os parágrafos foram numerados para que o leitor saiba de onde se partiu e possa confrontar com o original completo. Na utilização das obras de Marx tomou-se o cuidado de se levar em conta o que já se encontrava disponível para leitura na época de Mises.

      Nesta longa estrada que resolvemos caminhar iniciamos com a provocativa série de discursos oficiais proferidos por Mises, na Biblioteca Pública de São Francisco, em 1952: "Marxism Unmasked: From Delusion to Destruction". O presente artigo versa sobre a sua primeira parte: "Mente, Materialismo e o destino do Homem".

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    2. "5. As idéias de Marx e de sua filosofia realmente dominam nossa época. A interpretação dos eventos atuais e a interpretação da história em livros populares, bem como nos escritos filosóficos, novelas, peças de teatro, e assim sucessivamente, são geralmente Marxistas. No centro está a filosofia Marxista da história. Desta filosofia é tomado emprestado o termo "dialético", que é aplicado a todas suas idéias. Mas isso não é tão importante como é compreender o que materialismo marxista significa.

      (...)

      15. Marx desenvolveu o que ele pensava ser um novo sistema. De acordo com sua interpretação materialista da história, as “forças produtivas materiais" (esta é uma tradução exata do Alemão) são as bases de tudo. Cada etapa das forças produtivas materiais corresponde a uma fase definida de relações de produção. As forças produtivas materiais determinam as relações de produção, isto é, o tipo de possessão e propriedade que existem no mundo. E as relações de produção determinam a superestrutura. Na terminologia de Marx, capitalismo ou feudalismo são relações de produção. Cada um destes foi necessariamente produzido por uma fase particular das forças produtivas materiais. Em 1859, Karl Marx disse que uma nova fase das forças produtivas materiais produziria o socialismo."

      Há relações de produção capitalista e feudal, assim como há produção capitalista e feudal. Porém não há capitalismo e feudalismo como relações de produção, assim como não há capitalismo e feudalismo como produtos simplesmente. Não existe produto capitalista - embora alguns forcem a barra com declarações do tipo: "o computador é um produto capitalista" - mas existe produção capitalista. Por isso que na terminologia de Marx, capitalismo e feudalismo são modos - e não relações - de produção:

      "Nas suas grandes linhas, os modos de produção asiático, antigo, feudal e, modernamente, o burguês podem ser designados como épocas progressivas da formação económica e social. As relações de produção burguesas são a última forma antagónica do processo social da produção, antagónica não no sentido de antagonismo individual, mas de um antagonismo que decorre das condições sociais da vida dos indivíduos; mas as forças produtivas que se desenvolvem no seio da sociedade burguesa criam, ao mesmo tempo, as condições materiais para a resolução deste antagonismo. Com esta formação social encerra-se, por isso, a pré-história da sociedade humana." (Para a Crítica da Economia Política)

      "16. Mas o que são estas forças produtivas materiais? Da mesma forma que Marx nunca disse o que era uma "classe", ele nunca disse exatamente o que são as "forças produtivas materiais”. Após analisar suas obras nós descobrimos que as forças produtivas materiais são as ferramentas e as máquinas. Num de seus livros [Misère de la philosophie — A miséria da Filosofia], escrito em Francês em 1847, Marx afirma que “a fábrica manual produz o feudalismo – a fábrica a vapor produz o capitalismo.” (3) Ele não disse isto neste livro, mas em outras obras ele escreveu que surgiriam outras máquinas que iriam produzir o socialismo."

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    3. Deixemos de lado a questão das classes pois não é o ponto aqui. Do assunto que aqui nos interessa, em um primeiro momento percebe-se que Mises não apreendeu o que, para o marxismo, integra as forças produtivas. Por isso as reduz às máquinas e as ferramentas. No próprio livro citado, "A Miséria da Filosofia", Marx explica que as máquinas constituem uma força produtiva:

      "As máquinas são tão pouco uma categoria econômica como o boi que puxa o carro. As máquinas são apenas uma força produtiva. A fábrica moderna, que se baseia na aplicação das máquinas, é uma relação social de produção, uma categoria econômica." (p.120)

      Obviamente que tal citação não é suficiente para demonstrar a incompreensão de Mises, muito pelo contrário. Porém na mesma obra Marx vai incluir nas forças produtivas a ciência e os próprios homens.

      "Em 1770, a população da Grã-Bretanha era de 15 milhões e a população produtiva era de 3 milhões. O poder científico da produção igualava uma população de mais de 12 milhões de indivíduos; portanto, havia 15 milhões de forças produtivas. Assim o poder produtivo estava para a população como 1 está para 1, e o poder científico estava para o poder manual como 4 está para 1." (p.91)

      "Uma classe oprimida é a condição vital de qualquer sociedade baseada no antagonismo das classes. A libertação da classe oprimida implica, portanto, necessariamente a criação de uma sociedade nova. Para que a classe oprimida possa libertar-se, é necessário que os poderes produtivos já adquiridos e as relações sociais existentes não possam mais existir lado a lado. De todos os instrumentos de produção, o maior poder produtivo é a própria classe revolucionária. A organização dos elementos revolucionários como classe pressupõe a existência de todas as forças produtivas que podiam ser geradas no seio da sociedade antiga." (p.155)

      Se ainda resta alguma dúvida com relação à ciência como força produtiva na teoria marxista, ela pode ser dissipada acessando-se "Teorias da Mais-Valia" onde Marx diz com todas as letras que "(...) também à ciência e as forças naturais aparecem como forças produtivas do capital" (p.386) e que "O capital é, portanto produtivo: 1. ao forçar a execução de trabalho excedente; 2. ao absorver as forças produtivas do trabalho social e as forças produtivas sociais gerais, como a ciência, e delas se apropriar (personificando-as)" (p.387).

      Se Mises leu "A Miséria da Filosofia" como pôde reduzir as forças produtivas às máquinas e as ferramentas? Neste segundo momento podemos até sair do terreno da especulação de incompreensão do autor "austríaco" para uma sórdida deturpação da teoria divergente. Mas por enquanto mantenhamos a cautela.

      Realmente Marx nunca disse no "A Miséria da Filosofia" que "surgiriam outras máquinas que iriam produzir o socialismo", mas também não disse isso em nenhuma outra obra. E nem poderia dizer já que seu conceito de forças produtivas, como vimos, é muito mais amplo do que a redução misesiana das "máquinas e ferramentas". Mises fez essa dedução após referir-se a um trecho dessa obra o qual é bom conferir na íntegra para evitar falsas interpretações:

      "Proudhon economista compreendeu muito bem que os homens fabricam o pano, os tecidos de seda em determinadas relações de produção. Mas o que ele não compreendeu é que essas relações sociais determinadas são também produzidas pelos homens, da mesma maneira que o tecido, o linho, etc. As relações sociais estão intimamente ligadas às forças produtivas. Adquirindo novas forças produtivas, os homens mudam seu modo de produção e, mudando o modo de produção, a maneira de ganhar a vida, mudam todas as suas relações sociais. O moinho manual nos dará a sociedade com o suserano; o moinho a vapor, a sociedade com o capitalismo industrial." (p.100)

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    4. Não são novas máquinas que levam a outro modo de produção mas novas forças produtivas, das quais as máquinas são uma parte - e isso não ocorre de forma mecânica como veremos mais adiante. Impossível concordar com a afirmação de Mises após ler o trecho inteiro.

      Feitos os esclarecimentos acima veremos mais abaixo, nos parágrafos seguintes, que a sequência do desenvolvimento teórico de Mises sobre esse tema acaba se transformando em uma constrangedora maçaroca de sandices que só pode apresentar algum sentido para aqueles que nunca abriram um livro de Marx na vida e preferem pegar interpretações de terceiros que melhor lhes convêm, ou aqueles que nunca conseguiram ler Marx com a mente mas somente com o fígado.

      "17. Marx tentou arduamente evitar a interpretação geográfica do progresso, porque isso já havia caído em descrédito. O que ele disse foi que as "ferramentas" eram a base de progresso. Marx e [Friedrich] Engels [1820-1895] acreditavam que novas máquinas seriam desenvolvidas e que elas conduziriam ao socialismo. Eles alegravam-se com as novas máquinas, pensando que isso significava que o socialismo estava próximo. No livro Francês de 1847, ele criticou aqueles que davam importância à divisão do trabalho; ele afirmou que as ferramentas eram importantes.

      18. Nós não devemos esquecer que ferramentas não caem do céu. Elas são produto de idéias. Para explicar as idéias, Marx disse que as ferramentas, as máquinas - as forças produtivas materiais - se refletem nos cérebros dos homens e assim as idéias surgem. Mas as ferramentas e as máquinas são, elas mesmas, o produto das idéias. Além disso, antes de existir máquinas, deve existir a divisão do trabalho. E antes de existir a divisão do trabalho, idéias definidas precisam ser desenvolvidas. A origem destas idéias não pode ser explicada por algo que só é possível numa sociedade, que é, ela mesma, produto de idéias.

      19. O termo "materiais" fascinou as pessoas. Para explicar mudanças em idéias, mudanças em pensamentos, mudanças em todas essas coisas que são os produtos de idéias, Marx os reduziu a mudanças em idéias tecnológicas. Nisto ele não era original. Por exemplo, Hermann Ludwig Ferdinand von Helmholtz [1821–1894] e Leopold von Ranke [1795-1886] interpretaram a história como a história da tecnologia.

      20. É tarefa da história explicar por que determinadas invenções não foram postas em prática por pessoas que tiveram todo o conhecimento físico requerido para sua construção. Por que, por exemplo, os antigos gregos, que tiveram o conhecimento técnico, não desenvolveram estradas de ferro?"

      Ainda que muito do exposto nestes trechos não faça sentido diante do esclarecimento anterior, é bom fazer mais algumas observações para evitar possíveis confusões.

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    5. Em primeiro lugar, o "livro Francês de 1847" foi uma resposta de Marx à "Filosofia da Miséria" de Proudhon. Portanto não poderia criticar "aqueles" mas somente "aquele". Em segundo lugar Marx critica Proudhon não por dar importância à divisão do trabalho mas por sua concepção da mesma:

      "A divisão do trabalho é, segundo Proudhon, uma lei eterna, uma categoria simples e abstrata. É, portanto, também necessário que a abstração, a idéia, a palavra baste para explicar a divisão do trabalho nas diferentes épocas da história. As castas, as corporações, o regime manufatureiro, a grande indústria devem ser explicados pela simples palavra: dividir. Estudemos, em primeiro lugar, o sentido de dividir e não se terá necessidade de estudar as numerosas influências que dão à divisão do trabalho um caráter determinado em cada época." (p.115)

      As "ferramentas" não são, para Marx, a base do progresso. Segundo ele, este se daria pelas contradições e antagonismos no interior da sociedade:

      "As coisas se passam de modo completamente diferente do que pensa Proudhon. No próprio momento em que a civilização começa, começa a produção a basear-se no antagonismo das ordens, dos estados, das classes, enfim, no antagonismo do trabalho acumulado e do trabalho imediato. Sem antagonismo não há progresso. Essa a lei que a civilização seguiu até nossos dias. Até o presente as forças produtivas se desenvolveram graças a esse regime do antagonismo das classes." (A Miséria da Filosofia, p.58-59)

      Mas se só há progresso com antagonismo então como seria no socialismo? Seria então uma sociedade estagnada? Pode perguntar um misesiano. Não é essa a perspectiva colocada por Marx:

      "Só numa ordem de coisas na qual já não haja classes e antagonismos de classes deixarão as evoluções sociais de ser revoluções políticas." (Idem, p.156)

      As "ferramentas e máquinas são produtos de idéias"? Que grande novidade que contou o senhor Mises! Ele nos dá essa informação no intuito de querer zombar do marxismo. Mas como ele - e não Marx - reduz as forças produtivas às "ferramentas e máquinas" então tem de dizer que seriam somente essas que refletiriam nos cérebros dos homens e criariam as idéias. Por fim nos informa outra "novidade": também a sociedade é produto de idéias. Ora, ora, vejamos a seguir quem poderá zombar por último.

      Para Marx o processo todo se dá da seguinte maneira: os homens nascem em uma determinada sociedade com um determinado tipo de forças produtivas legadas pelas gerações passadas. Estes homens então interagem com essas forças produtivas e vão transformando-as ao mesmo tempo em que os transformam a si próprios.

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    6. "Esta concepção da história assenta, portanto, no desenvolvimento do processo real da produção, partindo logo da produção material da vida imediata, e na concepção da forma de intercâmbio intimamente ligada a este modo de produção e por ele produzida, ou seja, a sociedade civil nos seus diversos estádios, como base de toda a história, e bem assim na representação da sua ação como Estado, explicando a partir dela todos os diferentes produtos teóricos e formas da consciência — a religião, a filosofia, a moral, etc., etc. — e estudando a partir destas o seu nascimento; deste modo, naturalmente, a coisa pode também ser apresentada na sua totalidade (e por isso também a ação recíproca destas diferentes facetas umas sobre as outras). Ao contrário da visão idealista da história, não tem de procurar em todos os períodos uma categoria, pois permanece constantemente com os pés assentes no chão real da história; não explica a práxis a partir da ideia, explica as formações de ideias a partir da práxis material, e chega, em consequência disto, também a este resultado: todas as formas e produtos da consciência podem ser resolvidos não pela crítica espiritual, pela dissolução na "Consciência de Si" ou pela transformação em "aparições", "espectros", "manias", etc., mas apenas pela transformação prática [revolucionária] das relações sociais reais de que derivam estas fantasias idealistas — a força motora da história, também da religião, da filosofia e de toda a demais teoria, não é a crítica, mas sim a revolução. Ela mostra que a história não termina resolvendo-se na "Consciência de Si" como "espírito do espírito", mas que nela, em todos os estádios, se encontra um resultado material, uma soma de forças de produção, uma relação historicamente criada com a natureza e dos indivíduos uns com os outros que a cada geração é transmitida pela sua predecessora, uma massa de forças produtivas, capitais e circunstâncias que, por um lado, é de fato modificada pela nova geração, mas que por outro lado também lhe prescreve as suas próprias condições de vida e lhe dá um determinado desenvolvimento, um caráter especial -, mostra, portanto, que as circunstâncias fazem os homens tanto como os homens fazem as circunstâncias." (A Ideologia Alemã)

      Sobre a sociedade, diz Marx:

      "(...) o caráter social é o caráter universal de todo o movimento; assim como a sociedade produz o homem enquanto homem, assim ela é por ele produzida." (Manuscritos Econômico-Filosóficos, p.139)

      Torna-se portanto infundada a acusação de que Marx reduziu as mudanças de idéias e pensamentos "a mudanças em idéias tecnológicas".

      Contra a tríade determinista misesiana "idéias-divisão do trabalho-máquinas" não há remédio melhor do que a dialética, pois a dinâmica do processo produtivo muitas vezes inverte essa ordem. Novas máquinas produzidas podem gerar uma nova divisão do trabalho e com elas acarretar em novas idéias na sociedade. Não precisa divagar muito e nem ir longe para constatar isso, basta analisar o advento e desenvolvimento da informática. Mas só para complementar vale a pena conferir as palavras de Marx:

      "(...) À medida que a concentração dos instrumentos se desenvolve, desenvolve-se também a divisão e vice-versa. É isso o que faz com que qualquer grande invenção na mecânica seja seguida de maior divisão do trabalho e cada crescimento na divisão do trabalho por sua vez determina novas invenções mecânicas." (p.125)

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    7. Mises encerra esse trecho com o provocativo questionamento a respeito de porque os antigos gregos não desenvolveram as estradas de ferro. Parece óbvio que suas forças produtivas não se desenvolveram a tal ponto. Leonardo da Vinci, no século XVI, projetou uma série de inventos, como o helicóptero, que só se materializaram séculos depois quando as forças produtivas haviam avançado. "Não consegue superar o horizonte burguês", zombaria Marx, se vivo fosse, do zombador que tenta aplicar ad infinitum as categorias burguesas.

      "21. Assim que uma doutrina se torna popular, ela é simplificada de tal forma que permita a compreensão das massas. Marx dizia que tudo depende das condições econômicas. Como declarou em seu livro Francês [A miséria da Filosofia] de 1847, ele entende que a história das fábricas e ferramentas desenvolveram-se independentemente. Segundo Marx, todo o movimento da história humana aparece como conseqüência natural do desenvolvimento das forças produtivas materiais, as ferramentas. Com o desenvolvimento das ferramentas, a estrutura da sociedade muda e, conseqüentemente, tudo o mais muda também. Por tudo o mais, ele quis dizer a superestrutura. Autores Marxistas, escrevendo depois de Marx, explicaram tudo na superestrutura como resultado de mudanças definitivas nas relações da produção. E eles explicaram tudo nas relações de produção como resultado das mudanças nas ferramentas e máquinas. Isto foi uma vulgarização, uma simplificação, da teoria marxista. Marx e Engels não foram completamente responsáveis por isso. Eles criaram muitas tolices, mas eles não são responsáveis por toda a tolice de hoje.

      22. Qual é a influência desta teoria marxista sobre as idéias? O filósofo René Descartes [1596-1650], que viveu no início do século XVII, acreditava que o homem tinha uma mente e que o homem pensa, mas que os animais eram simplesmente máquinas. Marx afirmou, naturalmente, que Descartes viveu numa época em que a "Manufakturperioden", as ferramentas e máquinas, eram tais que ele foi forçado a explicar sua teoria afirmando que os animais eram máquinas. Albrecht von Hailer [1708-1777], um Suíço, afirmou a mesma coisa no século XVIII (ele não gostava da igualdade perante a lei dos governos liberais). Entre estes dois homens, viveu La Mettrie, que também explicou homem como uma máquina. Portanto, o conceito de Marx, de que as idéias eram um produto das ferramentas e máquinas de uma determinada época, é facilmente refutado.

      23. John Locke [1632-1704], o conhecido filósofo do empirismo, declarou que tudo na mente do homem provém da experiência dos sentidos. Marx afirmou que John Locke era um porta-voz da doutrina classista da burguesia. Isto conduz a duas deduções diferentes das obras de Karl Marx: (a) A interpretação que ele deu a respeito de Descartes é que ele vivia numa época em que as máquinas foram introduzidas e, portanto, Descartes explicou o animal como uma máquina; e (b) A interpretação que ele deu a respeito da inspiração de John Locke -- que ela veio do fato de que ele era um representante dos interesses classistas dos burgueses. Aqui estão duas explicações incompatíveis para a origem das idéias. A primeira destas duas explicações, no sentido de que as idéias são baseadas em forças produtivas materiais, as ferramentas e máquinas, é inconciliável com a segunda, a saber, que os interesses de classe determinam as idéias.

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    8. 24. Segundo Marx, todos são forçados - pelas forças produtivas materiais - a pensar de tal maneira que o resultado mostre seus interesses de classe. Você pensa da forma que seus "interesses" forçam você pensar; você pensa de acordo com seus “interesses” de classe. Seus “interesses” são algo independente da sua mente e suas idéias. Seus “interesses” existem no mundo além de das suas idéias. Conseqüentemente, a produção de suas idéias não é nenhuma verdade. Antes da aparição de Karl Marx, a noção de verdade não tinha qualquer significado para todo o período histórico. O que o pensamento das pessoas produziu no passado sempre foi "ideologia", não verdade.

      (...)

      29. A influência dessa idéia de “interesses” é enorme. Em primeiro lugar, é importante lembrar que esta doutrina não afirma que os homens agem e pensam de acordo com o que eles consideram ser seus próprios interesses. Em segundo lugar, recorde que ela considera os “interesses” como independentes dos pensamentos e idéias dos homens. Estes interesses independentes obrigam os homens a pensar e agir de uma forma definida. Como um exemplo da influência que esta idéia possui sobre nosso pensamento hoje, eu poderia mencionar um Senador Americano - não é um Democrata - que afirmou que as pessoas votam de acordo com seus “interesses”; ele não disse de acordo com o que eles pensam ser seus interesses. Esta é a idéia de Marx - assumindo que "interesses" são algo definido e além das idéias de uma pessoa. Esta idéia de doutrina de classe foi primeiramente desenvolvida por Karl Marx no Manifesto Comunista.

      (...)

      32. Assim, estes dois homens, Marx e Engels, que reivindicaram que a mente proletária era diferente da mente da burguesia, estavam numa posição embaraçosa. Então eles incluíram uma passagem no Manifesto Comunista para explicar: “Quando o tempo chegar, alguns membros da burguesia se unirão às classes emergentes”. Porém, se alguns homens conseguem se livrar da lei de interesses de classe, então a lei não é mais uma lei geral."

      E eis que surge a velha acusação de determinismo econômico! Olhando para as citações anteriores percebemos que trata-se de uma acusação leviana e infundada. Mas para quem ainda tiver alguma dúvida pode ler a resposta que Engels deu a Joseph Bloch, em 1890, sobre o assunto.

      Mas à acusação de determinismo econômico somou-se a de que Marx teria dito que as "fábricas e ferramentas desenvolveram-se independemente". Independentemente de que? De quem? Se se refere às forças produtivas vale complementar uma explicação anterior para que fique bem entendido: para Marx os homens se defrontam com forças produtivas legadas por gerações passadas e por isso ingressam em uma relação de produção independente da sua vontade:

      "(...) na produção social da sua vida os homens entram em determinadas relações, necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada etapa de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais." (Para a Crítica da Economia Política)

      Porém, na sequência do processo os homens interagem com essas forças produtivas, transformando-as ao mesmo tempo em que transformam-se a si próprios como pudemos constatar na citação de "A Ideologia Alemã".

      Mas é preciso reconhecer que Mises faz uma observação importante: a de que alguns autores que reivindicavam o marxismo estavam fazendo uma leitura vulgar da obra de Marx e Engels. Isso é verdadeiro, porém, vindo de alguém que reduziu as forças produtivas no marxismo "às ferramentas e máquinas", ou seja, que fez uma leitura vulgar do marxismo, torna-se contraditório e até irônico.

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    9. Na sequência constatamos quanta moral Mises tem para criticar os "marxistas vulgares". Ele reduzirá a influência que exerce as forças produtivas nas idéias dos homens em determinado período histórico assinalado por Marx a uma via de mão única, qual seja: forças produtivas-idéias. Só que Marx é mais denso do que imaginam os "vulgares", sejam eles pretensos "marxistas", sejam eles antimarxistas. Vimos, por mais de uma vez aqui, que para ele o processo é mais complexo, é dialético.

      Mas aceitemos por um instante a via de mão única misesiana só para poder tratar de outra vulgaridade produzida pelo "austríaco": a de que haveria uma contradição entre as forças produtivas e ao mesmo tempo os interesses de classes influenciarem nas idéias dos homens.

      Só pode achar inconciliável tal possibilidade quem reduz "vulgarmente" as forças produtivas "às ferramentas e as máquinas" pois como constatamos anteriormente, no "livro Francês de 1847", Marx considerava os próprios homens como integrantes das forças produtivas, inclusive a "classe revolucionária".

      Os interesses de classes como algo intransponível e uma "lei geral" é uma criação de Mises, não de Marx. Marx sempre soube que nem sempre uma classe tem consciência de seus interesses.

      "As condições econômicas tinham a princípio transformado a massa da população do país em trabalhadores. A dominação do capital criou para essa massa uma situação comum, interesses comuns. Assim essa massa já é uma classe diante do capital, mas não o é ainda para si mesma. Na luta, de que assinalamos apenas algumas fases, essa massa se reúne, se constitui em classe para si mesma. Os interesses que ela defende se tornam interesses de classe. Mas a luta de classe com classe é uma luta política". (p.154)

      No "Manifesto Comunista" Marx diz:

      "Será preciso grande perspicácia para compreender que as idéias, as noções e as concepções, numa palavra, que a consciência do homem se modifica com toda mudança sobrevinda em suas condições de vida, em suas relações sociais, em sua existência social? Que demonstra a história das idéias senão que a produção intelectual se transforma com a produção material? As idéias dominantes de uma época sempre foram as idéias da classe dominante."

      Logo trata-se de mais uma vulgaridade atribuir a Marx uma concepção segundo a qual "todos são forçados - pelas forças produtivas materiais - a pensar de tal maneira que o resultado mostre seus interesses de classe" ou que Marx nega que os "homens agem e pensam de acordo com o que eles consideram ser seus próprios interesses" - até porque ao constatar que as "idéias dominantes de uma época" são as "da classe dominante" está a se reconhecer que tais idéias se fazem presentes no seio das classes dominadas que ao assimilar e internalizar tais idéias acreditam ser os seus interesses os mesmos das classes dominantes:

      "A elevação de salários desperta no trabalhador igual anseio de enriquecer que no capitalista, mas só o pode satisfazer pelo sacrifício do seu corpo e espírito." (Manuscritos Econômico-Filosóficos, p.69)

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    10. Cabe ressaltar ainda que o fato de "as idéias dominantes de uma época" serem as "da classe dominante" não impedem que hajam outras idéias, não dominantes, de outros grupos ou classes. É importante fazer esse esclarecimento para reduzir o espaço para mais vulgaridades.

      Mas Mises consegue construir algo incrível na sua análise. Ele afirma que os "interesses independentes obrigam os homens a pensar e agir de uma forma definida". E ainda coloca essa aberração no colo de Marx!
      Ora se os interesses estão independentes dos homens significa que os homens ainda não adquiriram consciência desses interesses. Logo não podem ser obrigados a pensar e agir por eles.

      Por fim é preciso esclarecer que a "doutrina de classe" de Marx apareceu antes do "Manifesto Comunista", no próprio "livro Francês de 1847" há várias referências a isso e até um capítulo intitulado "Greves e coligações dos operários". Portanto, o que é "facilmente refutado" são as incompreensões e distorções misesianas a respeito da teoria marxista.

      "33. A idéia de Marx era que as forças produtivas materiais conduzem os homens de uma fase para outra, até eles alcançarem o socialismo, que é o fim e o ápice de tudo. Marx disse que o socialismo não pode ser planejado com antecedência; a história cuidará dele. Na visão de Marx, esses que afirmam como o socialismo funcionará são apenas “utópicos”.

      34. O Socialismo já estava intelectualmente derrotado no tempo que Marx escreveu. Marx contestava seus críticos afirmando que aqueles que estavam em oposição eram somente “burgueses”. Ele afirmou que não era necessário derrotar os argumentos dos seus oponentes, mas somente desmascarar sua origem burguesa. E como sua doutrina não passava de ideologia burguesa, não era necessário lidar com isto. Isto deveria significar que nenhum burguês pudesse escrever alguma coisa a favor do socialismo. Assim, todos escritores estavam ansiosos para provar que eles eram proletários. Também seria oportuno mencionar neste momento que o precursor do socialismo francês, Saint-Simon (4), era descendente de uma famosa família de duques e condes.

      (...)

      37. Em 1825, Hegel disse que havíamos alcançado um estado de coisas maravilhosas. Ele considerou o reino da Prússia de Friedrich Wilhelm III [1770-1840] e a Igreja da União Prussiana (Prussian Union Church) como a perfeição do governo secular e espiritual. Marx afirmou, como Hegel, que havia história no passado, mas que não haverá mais nenhuma história quando nós alcançarmos um estado que é satisfatório. Assim, Marx adotou o sistema Hegeliano, embora usasse forças produtivas materiais em vez de Geist. As forças produtivas materiais passam por várias fases. A fase presente é muito ruim, mas há uma coisa em seu favor - ela é a fase preliminar necessária para o aparecimento do estado perfeito do socialismo. E o socialismo está próximo."

      Em "Crítica do Programa de Gotha" Marx faz várias referências a aspectos da organização social no socialismo, logo não poderia considerar "utópico" quem se dedicasse a tal empreitada. No "Manifesto Comunista" ele criticou os chamados "socialistas utópicos" não por eles querer explicar como funcionaria o socialismo mas por suas limitações e incompreensões do movimento histórico que os levavam a ações sem eficácia e até conciliadoras.

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    11. "A atividade social substituem sua própria imaginação pessoal; às condições históricas da emancipação, condições fantasistas; à organização gradual e espontânea do proletariado em classe, uma organização da sociedade pré-fabricada por eles. A história futura do mundo se resume, para eles, na propaganda e na prática de seus planos de organização social. (...)
      (...)
      Mas, a forma rudimentar da luta de classe e sua própria posição social os levam a considerar-se bem acima de qualquer antagonismo de classes. Desejam melhorar as condições materiais de vida para todos os membros da sociedade, mesmo dos mais privilegiados. Por conseguinte, não cessam de apelar indistintamente para a sociedade inteira e mesmo se dirigem de preferência à classe dominante. Pois, na verdade, basta compreender seu sistema para reconhecer que é o melhor dos planos possíveis para a melhor das sociedades possíveis.

      Repelem, portanto, toda ação política e, sobretudo, toda ação revolucionária, procuram atingir seu fim por meios pacíficos e tentam abrir um caminho ao novo evangelho social pela força do exemplo, por experiências em pequena escala que, naturalmente, sempre fracassam. A descrição fantasista da sociedade futura, feita numa época em que o proletariado, pouco desenvolvido ainda, encara sua própria posição de um modo fantasista, corresponde as primeiras aspirações instintivas dos operários e uma completa transformação da sociedade."

      Sobre o desenvolvimento das forças produtivas levarem ao socialismo, ou a qualquer outra sociedade, é preciso fazer algumas observações. Marx leva em conta nesse processo as formas ideológicas vigentes que influenciam no pensamento dos homens que se deparam com a contradição das forças produtivas com as relações de produção.

      "Com a transformação do fundamento económico revoluciona-se, mais devagar ou mais depressa, toda a imensa superstrutura. Na consideração de tais revolucionamentos tem de se distinguir sempre entre o revolucionamento material nas condições económicas da produção, o qual é constatável rigorosamente como nas ciências naturais, e as formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas, em suma, ideológicas, em que os homens ganham consciência deste conflito e o resolvem." (Para a Crítica da Economia Política)

      Portanto é completamente descabido atribuir a Marx uma concepção segundo a qual o desenvolvimento das forças produtivas levaria, ou "conduziria" (par.17), ou "produziria" (par.15), de forma mecânica e "natural" (par.21) outro modo de produção. E tal observação é feita por Marx no único livro de 1859 contrariando a acusação de Mises nos parágrafos destacados (17,15 e 21).

      E sendo assim é falso fazer uma leitura de que para Marx o comunismo seria inevitável. Como ele mesmo diz nos "Manuscritos Econômico-Filosóficos":

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    12. "O comunismo constitui a fase da negação da negação e é, por consequência, para o seguinte desenvolvimento histórico, o fator real, imprescindível, da emancipação e da reabilitação do homem. O comunismo é a forma necessária e o princípio dinâmico do futuro imediato, mas o comunismo não constitui em si mesmo o objetivo da evolução humana - a forma da sociedade humana." (p.148)

      É conhecido e reconhecido que em toda a sua obra Marx se dedica não só a analisar o sistema capitalista como as ideologias que lhes dão sustenção e consequentemente os teóricos burgueses que produzem tais ideologias. À luz disso, Mises, que alega ter analisado várias obras de Marx, afirma que Marx não achava "necessário derrotar os argumentos dos seus oponentes, mas somente desmascarar sua origem burguesa", que "não era necessário lidar com isto" pois bastaria mostrar que os oponentes eram "burgueses" e ponto. Aqui o "austríaco" decai da vulgaridade para a mais sórdida deturpação. Daria para escrever mais de um livro só com as citações de Marx criticando e contrapondo-se teoricamente aos divergentes ideológicos.

      Como complemento desta absurda deturpação Mises ainda coloca sobre os ombros do marxismo o fardo, criado por ele e não por Marx, de que "nenhum burguês" poderia "escrever alguma coisa a favor do socialismo". Ele sequer se deu por conta de que parágrafos antes havia zombado da "lei geral" dos interesses de classes pelo fato de Marx admitir que membros de uma classe poderiam apoiar outra classe. Ou seja, Mises entrou em frontal contradição com a sua própria interpretação do marxismo!

      Só para evitar mais "diz-que-me-diz", veremos o que Marx diz sobre a possibilidade do socialismo atingir outras classes da sociedade:

      "Por fim, da concepção da história que desenvolvemos obtemos ainda os seguintes resultados: 1) No desenvolvimento das forças produtivas atinge-se um estádio no qual se produzem forças de produção e meios de intercâmbio que, sob as relações vigentes, só causam desgraça, que já não são forças de produção, mas forças de destruição (maquinaria e dinheiro) — e, em conexão com isto, é produzida uma classe que tem de suportar todos os fardos da sociedade sem gozar das vantagens desta e que, excluída da sociedade [23], é forçada ao mais decidido antagonismo a todas as outras classes; uma classe que constitui a maioria de todos os membros da sociedade e da qual deriva a consciência sobre a necessidade de uma revolução radical, a consciência comunista, a qual, evidentemente, também se pode formar no seio das outras classes por meio da observação da posição desta classe". (A Ideologia Alemã)

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    13. Por último Mises acusa Marx de defender o "fim da História". É verdade que alguns marxistas vulgares chegaram a difundir que o comunismo representaria o "fim da História". O próprio Gramsci criticou-os por isso.
      Como nenhum remédio é mais eficaz contra todos os vulgares - sejam "marxistas", sejam antimarxistas - do que a fonte original, então vamos a ela:

      "Com os alemães, que não dispõem de quaisquer premissas, temos de começar por constatar a primeira premissa de toda a existência humana, e portanto, também, de toda a história, ou seja, a premissa de que os homens têm de estar em condições de viver para poderem “fazer história". Mas da vida fazem parte sobretudo comer e beber, habitação, vestuário e ainda algumas outras coisas. O primeiro acto histórico é, portanto, a produção dos meios para a satisfação destas necessidades, a produção da própria vida material, e a verdade é que este é um acto histórico, uma condição fundamental de toda a história, que ainda hoje, tal como há milhares de anos, tem de ser realizado dia a dia, hora a hora, para ao menos manter os homens vivos. Mesmo quando o mundo sensível é reduzido ao mínimo, a um bastão, como com o sagrado Bruno[N12], pressupõe a actividade da produção deste bastão. Assim, a primeira coisa a fazer em qualquer concepção da história é observar este facto fundamental em todo o seu significado e em toda a sua dimensão, e atribuir-lhe a importância que lhe é devida. Como é sabido, os alemães nunca o fizeram, e por isso nunca tiveram uma base [Basis] terrena para a história nem, consequentemente, um historiador. Os franceses e os ingleses, embora tenham concebido a conexão deste facto com a chamada história apenas de um modo extremamente unilateral, nomeadamente enquanto enredados na ideologia política, fizeram não obstante as primeiras tentativas para dar à historiografia uma base materialista, tendo sido os primeiros a escrever histórias da sociedade civil, do comércio e da indústria." (Marx. A Ideologia Alemã)

      "Na história até aos nossos dias é, sem dúvida, igualmente um facto empírico que cada um dos indivíduos, à medida que a actividade se alarga à escala histórico-mundial, fica cada vez mais escravizado sob um poder que lhe é estranho (cuja pressão eles imaginaram como chicana do chamado Espírito do mundo, etc.), um poder que se tornou cada vez mais desmedido e que em última instância se legitima como o mercado mundial. Mas, do mesmo modo, está empiricamente provado que pelo derrubamento do estado de coisas vigente na sociedade por meio da revolução comunista (da qual mais adiante falaremos) e da abolição da propriedade privada que àquela é idêntica, este poder tão misterioso para os teóricos alemães será dissolvido, e então será realizada a libertação de cada um dos indivíduos na medida em que a história se transforma completamente em história mundial." (Marx. A Ideologia Alemã)

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    14. Bibliografia

      von MISES, Ludwig. Marxism Unmasked: From Delusion to Destruction - Primeira parte: Mente, Materialismo e o destino do Homem. 1952.
      Disponível em:
      http://www.endireitar.org/site/artigos/marxismo/83-marxismo-segundo-ludwig-von-mises

      MARX, Karl. A Miséria da Filosofia. Coleção Grandes Obras do Pensamento Universal - 77. São Paulo: Editora Escala, 2007.

      ________ . Manuscritos Econômico-Filosóficos. Coleção A Obra-Prima de Cada Autor. São Paulo: Editora Martin Claret, 2001.

      ________ . Teorias da Mais-Valia - Livro 4 de "O Capital" - Vol.1. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.

      ________ . Crítica do Programa de Gotha. Clássicos do Marxismo. Rio de Janeiro: Editora e Livraria Ciência e Paz Ltda, 1984.

      ________ . Para a Crítica da Economia Política.
      Disponível em:
      http://www.marxists.org/portugues/marx/1859/01/prefacio.htm
      http://www.marxists.org/portugues/marx/1859/08/15.htm

      MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã.
      Disponível em:
      http://www.marxists.org/portugues/marx/1845/ideologia-alema-oe/index.htm

      __________________________ . O Manifesto Comunista.
      Disponível em:
      http://www.culturabrasil.pro.br/manifestocomunista.htm

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    15. Fonte:http://marivalton.blogspot.com.br/2012/09/a-mediocridade-do-liberal-ludwig-von.html


      A Mediocridade do Liberal Ludwig von Mises
      MARX: por Mises, por Marx (Parte 1)
      terça-feira, 8 de março de 2011 por Jorge Nogueira

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  3. Meus parabéns. É sempre bom ler textos claros sobre temas tão complexos. Estou cansado de textões de esquerda "a la Fidel Castro", que tentam cansar o cérebro crítico e nos persuadir com ideias de intenções mancas. Você teve o trabalho de esmiuçar o argumento por nós, obrigado! No fundo, a questão das intenções por trás do discurso sempre retorna.

    Em tempo: sempre que o pensamento é claro e evidente, os esquerdopatas dizem que o autor tem limitações intelectuais ou não estudou. Nessa loucura, acabam ignorando o óbvio, desprezando o evidente e negando a realidade sensível a priori, sem nem considerar a hipótese do simples ser, mesmo, compatível com a verdade.

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  4. "O valor de uso não pode ser intrínseco. Ele é subjetivo.
    Algo só é útil, ou seja, só tem valor de uso, se as pessoas quiserem usar. E o que motiva uma pessoa a querer usar ou não uma mercadoria, são fatores subjetivos.
    E mesmo quando a utilidade parece evidente para todos, a questão está em como medi-la, e não dá pra fazer isso olhando para suas qualidades intrínsecas."

    Sério ? É impossível estipular um valor sem analisar suas características intrínsecas e você mesmo se contradiz aqui "Concordo. O problema é mensurar o valor do trabalho.
    O trabalho tem seu valor determinado por sua utilidade e utilidade é subjetivo."

    Não vou nem me dar ao trabalho de refutar o resto.. sério ...

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  5. "Para que haja um melhor entendimento, é preciso responder à uma pergunta: O que vem primeiro, a oferta ou a demanda?"

    O certo dessa questão não seria a demanda ?

    Não é porque existe destilarias que as pessoas bebem Uísque e sim porque pessoas bebem Uísque que existe destilarias.

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  6. kkkkkkkkkkkkkkkkkk refutando kkkkkkkkkkkkkkkkk que texto patético á unica coisa que esse texto refutou foi sua credibilidade kkkkkkkkkkk me poupe.

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  7. HORRÍVEL! O autor do texto simplesmente repetiu um chavão que vem se tornando cada vez mais comum entre os liberteens que estão, cegamente, aderindo a este tipo de ideia, a famigerada frase "refutaria".

    1° - O máximo que vc fez nesse conglomerado de verbiagem que vc chama de artigo foi dar sua opinião sobre as análises do outro artigo.
    2° - Em algumas partes do texto o autor diz que ainda não foi convencido de alguma suposição do outro artigo. WHATEVER, o foco do assunto não é lhe convencer,muito menos querer saber de suas opiniões , afinal, fatos independem de opiniões.
    3° - O texto carece, significativamente, de conhecimentos a respeito do assunto que pretende comentar. Não há nenhuma argumentação elevada quanto ao assunto, apenas senso comum, apenas opiniões do autor. Por isso que o marxismo é sempre vítima de inúmeros Hoax, pois as pessoas simplesmente acham que é algo que qualquer um pode optar, sem ter o mínimo de conhecimentos de conceitos básicos do assunto tratado.

    4°- a única coisa que vc refutou aqui foi o fato de que vc estava por dentro do assunto!

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