Com a aproximação do referendo sobre a saída do Reino Unido da União Européia, marcado para o dia 23 de Junho, mais personalidades britânicas manifestam suas posições. Dentre os que se manifestaram recentemente está Michael Dobbs, político tory, autor do livro que inspirou a série House of Cards da Netflix e um dos co-produtores da série, que declarou: "A União Européia é como o Titanic, prestes a colidir com o iceberg, não há como evitar, então nessas circunstâncias, é melhor sair."

Outro partidário da saída do Reino Unido da União Européia, o prefeito de Londres, Boris Johnson, criticou a intromissão do presidente americano Barack Obama nessa delicada questão interna. Ele disse que as declarações de Obama são uma "peça de hipocrisia ultrajante e exorbitante".

Em resposta ao partidários do "fica", que argumentam que a saída da União Européia traria um futuro incerto para o Reino Unido, Dobbs disse que com a saída do Reino Unido, o futuro da União Européia também ficaria incerto.
Dobbs também insiste que a saída não prejudicaria a economia do RU, já que não causaria uma redução no comércio entre o país e o bloco europeu.

Ele defende também que o Reino Unido deve buscar um modelo de relações com a União Européia diferente daqueles da Suíça e Noruega, outros dois importantes países europeus que optaram por não fazer parte do bloco.

Fonte: 



Greg Mankiw é professor e catedrático na universidade de Harvard, neokeynesiano, é considerado um dos economistas mais influentes da atualidade e seus livros costumam ser usados como livros-texto em cursos de economia em todo mundo.
Em 2009 ele publicou um artigo em seu blog [1] em que comenta o que é consenso e o que divide opiniões entre economistas. As opiniões costumam divergir bastante quando se trata de Teoria dos Ciclos Econômicos e sobre as virtudes da economia keynesiana, mas no geral, há muito consenso.

No capítulo 2 de seu livro-texto favorito, ele inclui uma tabela de propostas com as quais a maioria dos economistas concorda, baseada em várias pesquisas da profissão. Aqui vai a lista, junto com a porcentagem de economistas que concordam:

1) Controle de aluguel reduz a quantidade e qualidade de moradias disponíveis (93%);
2) Tarifas e cotas de importação geralmente reduzem o bem-estar econômico geral (93%);
3) Taxas de câmbio variável e flexível oferecem um arranjo monetário internacional eficiente (90%);
4) Política fiscal (por exemplo, corte de impostos e/ou aumento do gasto governamental) tem um impacto estimulante significativo em uma economia que não esteja com pleno emprego; (90%)
5) Os Estados Unidos não deve restringir os empregadores de terceirizar trabalho em países estrangeiros; (90%)
6) Os Estados Unidos deve eliminar os subsídios agrícolas; (85%)
7) Governos estaduais e federal devem eliminar subsídios às franquias esportivas profissionais; (85%)
8) Se o orçamento federal está para ser balanceado, deve ser feito durante o Ciclo Econômico ao invés de anualmente; (85%)
9) A diferença entre os fundos da Previdência Social e os gastos se tornarão insustentavelmente grandes nos próximos 50 anos se as políticas atuais permanecerem inalteradas; (85%)
10) Os pagamentos em dinheiro aumentam o bem-estar dos beneficiários em maior grau que transferências de espécie de mesmo valor; (84%)
11) Um grande déficit federal tem um efeito adverso na economia; (84%)
12) Um salário mínimo aumenta o desemprego entre os trabalhadores jovens e inexperientes; (83%)
13) O governo deve reestruturar o sistema de assistência social seguindo o estilo do “imposto de renda negativo”; (79%)
14) Impostos sobre efluentes e licenças de poluição comercializáveis representam uma melhor abordagem ao controle da poluição que a imposição de tetos de poluição. (78%)

No mesmo artigo ele ainda comenta:
"Se pudermos fazer o público em geral apoiar todas essas propostas, tenho certeza que seus líderes políticos também apoiarão, e a política pública seria muito melhorada. Por isso que a educação econômica é tão importante."

Fontes:
[1] http://gregmankiw.blogspot.com.br/2009/02/news-flash-economists-agree.html


Obs.:
No artigo escrito pelo próprio Mankiw, ele não cita qual exatamente é o seu "livro-texto favorito", nem quais são as "várias pesquisas" de opinião entre economistas que serviram de base para essa lista, mas verificando em um livro de Introdução à Economia que tenho comigo, justamente no segundo capítulo, encontrei a mesma lista (embora um pouco menor) e com as devidas citações:








Socialistas gostam de usar a Suécia como exemplo de socialismo bem sucedido, usando como único argumento, o generoso estado de bem estar social sueco. Mas o fato é que a Suécia segue uma série de políticas que estes mesmos socialistas consideram liberais ou conservadoras, tais como:

1. É a 10ª Economia mais aberta do mundo (Segundo a Câmara Internacional de Comércio) [1]
2. É o 8º país mais favorável aos negócios no mundo (Segundo o Banco Mundial) [2]
3. É lar de várias empresas privadas multinacionais como Electrolux, Ericsson, Absolut, Tetra Pak, Scania, Ikea e Volvo.
4. Pratica políticas macroeconômicas ortodoxas tais como:
- Câmbio flutuante [3]
- Regime de metas de inflação [4]
- Taxa de Juros Real positiva (0,10% em 2015) [5]
- Dívida pública relativamente pequena (43,8% do PIB - A do Brasil já é de 58,9%) [6]
5. É o 9º país com mais armas por habitante [7]
6. É uma monarquia constitucional

Até mesmo a alta carga tributária é na verdade, evidência de uma política fiscal ortodoxa, afinal é bem melhor bancar um estado de bem estar social com impostos do que com endividamento público ou com inflação e muito melhor obviamente, do que ter uma divida impagável mesmo com alta carga tributária, como é o caso de muitos países europeus hoje.
E mesmo o estado de bem estar social da Suécia vem diminuindo nos últimos anos [8], mas esse é um assunto que vamos tratar melhor em posts futuros.

[1] http://www.iccwbo.org/global-influence/g20/reports-and-products/open-markets-index/
[2] http://www.doingbusiness.org/~/media/GIAWB/Doing%20Business/Documents/Annual-Reports/English/DB16-Full-Report.pdf
[3] https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_with_floating_currencies
[4] https://en.wikipedia.org/wiki/Inflation_targeting
[5] http://exame.abril.com.br/economia/noticias/brasil-e-primeiro-lugar-mundial-de-longe-em-juros-reais
[6] https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/sw.html
[7] https://en.wikipedia.org/wiki/Number_of_guns_per_capita_by_country
[8] http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/10677/Juliana_DISSERTACAO.pdf?sequence=1



O Doing Business é um estudo anual, elaborado pelo Banco Mundial desde 2003, que analisa o ambiente regulatório sobre as empresas de mais de 185 países, com o propósito de medir o quanto cada país é capaz de oferecer um ambiente favorável aos negócios e proteger os direitos de propriedade privada.
O estudo apresenta, a cada ano, uma análise detalhada dos custos, requisitos e procedimentos aos quais as empresas privadas são submetidas em cada país e, em seguida , cria um rankings entre eles.

O Relatório cobre 11 áreas que afetam a vida de uma empresa: abertura de empresas, obtenção de alvarás de construção, obtenção de eletricidade, registro de propriedades, obtenção de crédito, proteção de investidores minoritários, pagamento de impostos, comércio internacioal, execução de contratos, resolução de insolvência e regulação do mercado de trabalho.
Os indicadores são utilizados para analisar resultados econômicos e identificar quais reformas de regulamentação de negócios funcionaram, onde e por quê.
O Relatório também é amplamente conhecido e utilizado por acadêmicos, legisladores, políticos, especialistas em desenvolvimento, jornalistas e pela comunidade empresarial para avaliar a burocracia e promover reformas.
Comparando dados obtidos ao longo dos anos, o estudo também é capaz de avaliar quais reformas foram mais bem sucedidas e assim, apontar possíveis modelos para outras economias.

Independente das conclusões específicas apontadas nele, o relatório é conclusivo principalmente ao mostrar uma nítida correlação entre desenvolvimento econômico e social e fatores tais como, um ambiente favorável aos negócios e à iniciativa privada, a proteção aos direitos de propriedade e um sistema regulatório enxuto e eficiente.

Veja mais em:
http://www.doingbusiness.org/



Em 1999, 10 anos depois da queda do muro de Berlim, aquilo que deveria servir como prova definitiva de que o socialismo havia falhado, Hugo Chávez resolve dar uma segunda chance ao modelo de economia planificada, desta vez na Venezuela. O país é altamente dependente do petróleo, que representa 96% dos ganhos de exportação do país, 40% das receitas do governo e 11% do PIB, mas a abundância deste recurso não foi capaz de livrar nossa vizinha de sérios problemas econômicos. O PIB contraiu 4% em 2014 e a previsão é de que se contraia mais 7% este ano. A inflação terminou 2014 em 68,4% e espera-se que chegue a 80%. O país também experimenta escassez de produtos básicos e o declínio das reservas internacionais do banco central. O atual presidente, Nicolás Maduro, sucessor de Chávez, tem aprofundado ainda mais o controle do estado sobre a economia na tentativa de solucionar a crise. [1]

Os defensores do socialismo chavista alegam que o presidente conseguiu reduzir a pobreza no país. Segundo dados da CEPAL, em 2002 a porcentagem de pessoas vivendo em situação de pobreza no país era de 48,6%. Em 2010 este número havia caído para 27,8%. [2]
Num primeiro momento, Hugo Chávez soube usar os ganhos com a alta dos preços do petróleo para investir em programas sociais. O barril de petróleo em Dezembro de 1998, pouco antes de Chávez assumir, estava em US$ 11,24. Em Abril de 2011, estava em US$ 113,37. [3]

Mas os socialistas ficaram tão empolgados com estes números que esqueceram de se atualizar. De 2012 para 2013 contudo, segundo a mesma CEPAL, o número de pessoas vivendo na pobreza na Venezuela disparou para 32,1% da população e este foi o último número divulgado. [4] Mas é quase certo que a situação piorou ainda mais desde então, com a piora da economia. [5] [6]

O socialismo fracassará sempre, isso é inevitável. Mas algo que poucos sabem é que Chávez só começou a pôr em prática efetivamente a ideia de transformar a Venezuela num país socialista, depois de 2007. Logo após conquistar uma nova vitória eleitoral em 2006, ele prometeu aprofundar a revolução [7] e no ano seguinte iniciou um amplo programa de nacionalizações e expropriações. Foi só então que o socialismo do século XXI começou a ser praticado de fato.

No setor elétrico, as consequências dessas políticas são visíveis. Em 2007, o governo comprou a empresa Electricidad de Caracas [8], completando assim o processo de nacionalização do setor elétrico. Em seguida, as 14 principais empresas de eletricidade do país foram unificadas na CORPOELEC. [9] - Incluindo a Edelca que, sozinha, era responsável pela metade da produção de energia eléctrica no país [10]

E o que aconteceu em seguida? Apagões se tornaram uma rotina. [11] Alguns casos famosos foram noticiados até pela mídia de esquerda. [12] Mas nesse caso, como sempre, o governo culpou uma suposta "sabotagem da direita", mesmo tendo controle absoluto sobre todo o setor.
Este ano, o vice-presidente anunciou medidas de racionamento e que inclusive, partes do funcionalismo público teria sua jornada de trabalho reduzida para economizar energia. [13]

Mas foi só em 2008 que o governo começou a atacar o setor de aliementos. Em março daquele mesmo ano, o executivo nacional por meio da PDVSA adquire o grupo de empresas Lácteos Los Andes, transformando-a numa empresa pública socialista. [14] Outros alvos posteriores seriam as Indústrias Diana (Óleo de cozinha e outros produtos) [15], Fama de América (Café) [16] a mexicana Monaca (Farinha de Trigo, milho, macarrão, arroz, óleo, aveia, atum, entre outros) [17].
Em março de 2009, o governo da Venezuela ordenou uma intervenção militar em todas as fábricas processadoras de arroz do país. [18] No mesmo mês, Hugo Chávez ordenou a expropriação das plantas processadoras de arroz da empresa americana Cargill [19] e em Abril de 2010, o presidente expropriou terrenos e depósitos das empresas Polar, a maior empresa de alimentos do país. [20]

Mas não só as empresas produtoras de alimentos foram alvo destas políticas. Em maio de 2009, Chávez anunciou que iria expropriar 10.000 hectares de latifúndios para produção de alimentos. [21]
E o governo também tomou controle da distribuição: Em 2010, por meio do Decreto Nº 7.185, ele adquire a cadeia de hipermercados Éxito. [22] Em maio deste ano, foram anunciadas leis para nacionalizar a atividade, mas a esta altura, o governo já controlava metade da distribuição de alimentos no país, segundo estimativas. [23]
E não para por aí. Em Outubro de 2010, o governo faz a aquisição forçada da Agrosileña (atualmente Agropatria) que produz suprimentos agrícolas como fertilizantes, sementes e agroquímicos. [24] Em maio de 2015, a Fedeagro alegou que a empresa tem o monopólio do setor. [25]

A consequência: Escassez. E os produtos cuja produção o governo assumiu são justamente os mais em falta. Falta leite. [26] [27] [28] Óleo de cozinha lidera níveis de escassez. [29] Falta arroz. [30] Só em 2013, houve uma queda de 10,55% no consumo de arroz [31] Esta matéria [32] também aponta os produtos mais escassos : Leite, café, arroz, papel higiénico, açúcar, sabão e óleo de milho.

Mas tudo isso pode ser mera "invenção da mídia burguesa", certo? Se você não acredita, veja a escassez com seus próprios olhos neste vídeo [33]. Na verdade, o próprio governo assume o problema, mas culpa uma suposta "sabotagem da direita" [34]. Só que esta é uma explicação difícil de engolir já que, como vimos, o desabastecimento é mais severo quando se trata dos produtos produzidos pelas empresas nacionalizadas.

Em resposta ao desabastecimento, o atual presidente, lança a Guerra Econômica, colocando a culpa pela alta dos preços nos pequenos comerciantes que se atrevem a vender produtos acima do preço fixado pelo governo. Neste vídeo, Maduro (a partir de 5') ordena a prisão imediata dos donos do Estabelecimento (sem devido processo, portanto) além de ordenar a ocupação da loja para a venda a "preços justos". [35]
E neste vídeo [36], o resultado da Guerra Econômica, pessoas comuns, trabalhadores honestos são usados como bode expiatório para a ingerência socialista. No vídeo, um pequeno comerciante é preso por membros das forças armadas, por reajustar preços acima da tabela.

Outras medidas "brilhantes" para tentar resolver o problema incluem o controle biométrico para compras em supermercado, impedindo que as pessoas comprem além da cota [37] e a proibição de notícias sobre escassez. [38]

Por fim, pensei em falar também da má administração do governo socialista sobre o setor da construção civil, mas acho que o texto já ficou demasiadamente longo para este formato. Se procurarem na internet com paciência, com certeza encontrarão informações a respeito.

Fontes:
[1] https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/ve.html
[2] http://www.cepal.org/prensa/noticias/comunicados/0/48460/tabla-pobreza-indigencia-pt.pdf
[3] http://www.acionista.com.br/graficos_comparativos/petroleo_mensal.htm
[4] http://repositorio.cepal.org/bitstream/handle/11362/37626/S1420729_es.pdf?sequence=6
pág. 96
[5] http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/12/falta-de-produtos-se-agrava-na-venezuela-com-queda-do-petroleo.html
[6] http://m.internacional.estadao.com.br/noticias/geral,venezuela-entrou-em-recessao-diz-governo,1613775
[7] http://noticias.uol.com.br/ultnot/reuters/2006/12/04/ult729u62683.jhtm
[8] http://news.bbc.co.uk/hi/spanish/business/newsid_6346000/6346433.stm
[9] http://www.corpoelec.gob.ve/quiénes-somos
[10] http://m.terra.com.br/noticia?n=7f881112a892b310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD
[11] http://www.businessinsider.com/the-lights-are-going-out-in-venezuela-2014-12
[12] http://www.cartacapital.com.br/internacional/venezuela-vive-pior-apagao-desde-2008-6612.html
[13] https://www.youtube.com/watch?v=o_WnI949VE8
* Aos 2'37" do vídeo
[14] http://www.lacteoslosandes.gob.ve/empresa_socialista.php
[15] http://www.industriasdiana.gob.ve/index.php?option=com_content&view=article&id=964&Itemid=58&lang=es
[16] https://www.famadeamerica.com/quienes-somos/
[17] http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/4082/venezuela+nacionaliza+filial+de+empresa+de+alimentos+do+mexico.shtml
[18] http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2009/02/090228_chavez_arrozrg.shtml
[19] http://www.elmundo.es/mundodinero/2009/03/05/economia/1236216421.html
[20] http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/04/chavez-expropria-terrenos-e-depositos-da-empresa-polar.html
[21] http://www.europapress.es/nacional/noticia-venezuela-chavez-anuncia-expropiacion-mas-10000-hectareas-tierras-noroeste-pais-20090511045558.html
[22] http://www.abastosbicentenario.gob.ve/index.php/nosotros/historia
[23] http://www.elpais.com.uy/mundo/maduro-promete-aumento-sueldos.html
[24] http://www.agropatria.com.ve/agropatria-quienes-somos
[25] http://elsiglo.com.ve/2015/05/24/fedeagro-agropatria-cerro-las-puertas-al-sector-privado-y-monopolizo-los-insumos-agricolas/
[26] http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/05/130516_escassez_alimentos_venezuela_jp
[27] Neste vídeo você pode ver a confusão em um supermercado para comprar leite em pó -https://www.youtube.com/watch?v=EvuP32r0P0Y
[28] http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/12/sorveteria-famosa-da-venezuela-fecha-temporariamente-por-falta-de-leite.html
[29] http://www.laverdad.com/economia/57768-aceite-de-maiz-y-girasol-lidera-niveles-de-escasez.html
[30] http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2015/07/crise-leva-consumidores-brigar-por-mercadorias-na-venezuela.html
[31] http://brasil.elpais.com/brasil/2014/06/17/internacional/1403031312_244541.html
[32] http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/12/internacional/1421076238_825358.html
[33] https://www.youtube.com/watch?v=QorSVeZwwxo
[34] https://www.youtube.com/watch?v=7JJVDYWItTI
[35] https://www.youtube.com/watch?v=o4HHDVjwcrM
[36] https://www.youtube.com/watch?v=P5mqa14QHnM
[37] http://exame.abril.com.br/economia/noticias/venezuela-limita-compras-em-supermercados
[38] http://www.publico.pt/mundo/noticia/governo-da-venezuela-proibe-noticias-sobre-escassez-de-bens-1607751




Em nosso primeiro post desta série, falamos sobre as pessoas que arriscaram a vida para fugir do socialismo rumo ao capitalismo. Hoje, vamos falar sobre outro caso deste tipo, o caso dos "balseros" cubanos.

"Balseros" é o nome dado em Cuba (nos EUA, são chamados de "rafters") aos que fogem do regime socialista cubano atravessando o mar em embarcações improvisadas e precárias, buscando uma vida melhor nos Estados Unidos.

Entre 1959 e 1994, 63.000 cubanos fugiram de Cuba e chegaram aos Estados Unidos vivos.[1] Com o fim da União Soviética em 1991, Cuba deixa de receber ajuda de um dos seus principais aliados. A economia da ilha entra num período de sérias dificuldades conhecido como "Período Especial".
Entre 1991 e Julho de 1994, o número de refugiados aumenta dramaticamente até atingir o número de 500 pessoas chegando diariamente, durante as duas primeiras semanas de Julho de 1994, no que ficou conhecido como a Crise dos Balseiros Cubanos de 1994. (Cuban Rafter Crisis em inglês) [1]

Tais fugas resultaram numa população de 1,2 milhões de cubanos vivendo nos Estados Unidos. (lembrando que Cuba tem pouco mais de 11 milhões de habitantes) [1] Até então, a política dos Estados Unidos era a de aceitar como residente permanente, qualquer refugiado cubano, mas para lidar com a crise, o governo americano foi obrigado a adotar uma política mais restritiva conhecida como "wet-foot, dry-foot", que determina que qualquer pessoa encontrada em águas entre os dois países é devolvida à Cuba, enquanto que aquelas encontrados em terra, são aceitas no país. [2]

Ainda hoje o fluxo de refugiados é grande. Na verdade, o número de cubanos tentando entrar nos Estados Unidos quase que dobrou nos últimos dois anos, na maior onda de refugiados desde a crise de 1994. [3]

Fontes:

[1] http://balseros.miami.edu/
* Este é um site totalmente dedicado à crise de 1994, com farta documentação sobre o fenômeno, incluindo fotos, vídeos, depoimentos, fontes primárias e uma extensa bibliografia sobre o assunto.

[2] http://www.migrationpolicy.org/article/cuban-immigrants-united-states

[3] http://www.nytimes.com/2014/10/30/us/coast-guard-rescues-cubans-off-boca-raton-in-new-sign-of-perilous-efforts-to-flee.html?_r=1

Não deixe de assistir também ao emocionante documentário dos jornalistas espanhóis Carlos Bosch e Josep Domènech Graell, que ao longo de sete anos, acompanharam a odisseia de alguns refugiados que partiram durante o grande êxodo de 1994.

https://www.youtube.com/watch?v=3_2Zro1dbFM


Em nosso primeiro post desta série, falamos sobre os resultados da divisão de um mesmo país em duas partes, uma capitalista e outra socialista. Agora vamos falar de outro caso parecido: O das Coréias do Sul (capitalista) e do Norte (socialista).

A península da Coréia é cortada pelo paralelo 38° N, uma linha demarcatória que divide dois Estados: a República da Coreia, a sul, e a República PopularDemocrática da Coreia, ao norte. Essa demarcação, existente desde 1945 por um acordo entre os governos de Moscou e Washington, dividindo o povo coreano em dois sistemas políticos opostos: no norte o comunismo apoiado pela União Soviética, e, no sul, o capitalismo apoiado pelos Estados Unidos.

Em 25 de Junho de 1950, a Coréia do Norte invade a do Sul, provocando a Guerra da Coréia, que matou cerca de 4 milhões de pessoas. Os Estados Unidos interviram para ajudar o Sul a manter sua soberania, com o aval do Conselho de Segurança da ONU, através da resolução nº 84 [1].
Em seguida, China e União Soviética entram no conflito apoiando o Norte. [2][3] Em julho de 1953, foi assinado um cessar-fogo, mas as Coréias seguiram divididas.

Atualmente, enquanto a Coréia do Sul ostenta a 15ª posição no ranking de Desenvolvimento Humano, a Coréia do Norte está mergulhada na tirania, opressão e miséria, sendo considerada o país mais fechado do mundo e uma das ditaduras mais totalitárias e ferrenhas. [4] Há até quem considere seu regime, uma espécie de nacionalismo racista comparável ao nazismo. [5] Seu sistema de classes imposto pelo estado, o Songbun, é comparável ao sistema de castas e discrimina pessoas com base em sua linhagem. [6]

Apesar das dificuldades encontradas por jornalistas e observadores internacionais em saber o que se passa dentro do país, os poucos dados existentes apontam para uma realidade socioeconômica nada boa. A expectativa de vida de 69,81 anos [7] está abaixo de países como Bangladesh e Iraque, a taxa de mortalidade infantil é 6 vezes maior que a da Coréia do Sul [8] e o PIB per Capita é comparável ao de países africanos. [9]

A Anistia Internacional e a Human Rights Watch acusam a Coreia do Norte de ter um dos PIORES registros violações de direitos humanos de qualquer nação. [10][11]
Em 18 de novembro de 2014, a ONU condenou as violações dos direitos humanos na Coreia do Norte, dando um primeiro passo para julgar a Coreia por crimes contra a humanidade. A resolução foi aprovada por 111 votos a favor e 19 contra. [12] Russia, China, Irã, Síria, Cuba, Venezuela e outras 13 nações ajudaram a proteger o regime norte-coerano votando contra. [13]

Desertores norte-coreanos, como Lee Soon-ok e Shin Dong-hyuk, testemunharam a existência de campos de concentração com uma estimativa de 150.000 a 200.000 presos, e reportaram torturas, fome, estupros, assassinatos, experimentos médicos desumanos, trabalhos, e abortos forçados. [14][15] Um oficial do Ministério do Exterior admitiu a existência de campos de concentração, alegando porém que são "campos de trabalho para reformar cidadãos" [16]

Com o fim da União Soviética em 1991, a Coréia do Norte começa a passar por sérias dificuldades e é assolada pela fome. O próprio regime se refere ao período como a "Marcha Árdua" e em 1995, a Coréia do Norte faz uma requisição oficial por ajuda humanitária. [17] Ainda hoje, o país praticamente só se alimenta graças à ajuda internacional. [18]
Neste link [19] é possível ver algumas imagens fortes da fome na Coréia do Norte.

Também nunca é demais lembrar que no Brasil, o PC do B, partido aliado do PT de longa data, lançou um manifesto de apoio à Coreia do Norte. [20]

Referências:

[1] http://www.un.org/french/documents/view_doc.asp?symbol=S%2FRES%2F84%281950%29&Lang=E&style=B%7Chtm

[2] http://acervo.estadao.com.br/noticias/topicos,guerra-da-coreia,878,0.htm

[3] http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-foi-a-guerra-da-coreia

[4] https://freedomhouse.org/report/freedom-world/2014/north-korea#.VcwO_SiuG0w

[5] http://www.wsj.com/articles/SB10001424052748704471504574445980801810944

[6] http://www.nknews.org/2012/06/marked-for-life-songbun-north-koreas-social-classification-system/

[7] https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2102rank.html

[8] https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2091rank.html

[9] https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2004rank.html

[10] http://www.amnestyusa.org/our-work/countries/asia-and-the-pacific/north-korea

[11] https://www.hrw.org/news/2007/05/15/grotesque-indifference

[12] http://edition.cnn.com/2014/11/18/world/asia/un-north-korea-vote/

[13] http://www.bangkokpost.com/news/asia/444204/un-committee-votes-to-hold-north-korea-accountable-for-abuses

[14] Os Olhos dos Animais sem Cauda. As Memórias de uma Mulher norte-coreana na Prisão. Lee Soon-ok, Ed. Horizontes América Latina, 2008.
ISBN 9788589195683 Adicionado em 16/11/2014.

[15] Fuga do Campo 14. Blaine Harden, Editora Intrínseca, 2012.
ISBN 9788580571653 Adicionado em 16/11/2014.

[16] http://www.aljazeera.com/news/asia-pacific/2014/10/n-korea-official-admits-use-labour-camps-20141080576899804.html

[17] http://www.nytimes.com/1999/08/20/world/korean-famine-toll-more-than-2-million.html

[18] http://documents.wfp.org/stellent/groups/public/documents/reports/wfp007326.pdf

[19] http://www.northkoreanow.org/film-photo/photographs-mass-starvations-in-north-korea/

[20] http://www.pcdob.org.br/noticia.php?id_noticia=209943&id_secao=9



Imagine a seguinte experiência: Escolhemos um país qualquer, dividimos ele em duas partes - lembrando que antes disso era UM único país, um mesmo povo, uma mesma língua, uma mesma cultura e uma mesma história - uma das partes coloca em prática o capitalismo e a outra, o socialismo. Em seguida observamos qual das duas partes se sai melhor. Isso nos permitiria tirar algumas conclusões, concorda?
Pois foi mais ou menos isso que representou a divisão da Alemanha em Alemanha Ocidental (capitalista) e Alemanha Oriental (socialista).

Ao fim da II Guerra Mundial, a derrotada Alemanha é dividida entre os quatro aliados. Uma parte, dominada por americanos, britânicos e franceses adotou o capitalismo, enquanto a metade dominada pelos soviéticos adotou o socialismo.
Berlim ficava no lado oriental, mas como era a capital, também acabou dividida. O lado sob o controle ocidental acabou se tornando uma ilha de capitalismo bem no meio da Alemanha Oriental socialista.
Mesmo com as fronteiras fortemente vigiadas era muito fácil ir de uma Alemanha para a outra: Bastava ir até Berlim e passar para o outro lado. E foi justamente isso que muitos alemães fizeram: Entre 1949 e 1961, cerca de 3 milhões de pessoas se recusaram a viver sob o socialismo e fugiram para o lado capitalista, sendo mais de 3 mil médicos, 17 mil professores e 17 mil engenheiros. Em agosto de 1961, uma média de 2.000 alemães orientais estavam atravessando para o Oeste POR DIA. Essa fuga de trabalhadores qualificados ameaçava a economia da Alemanha Oriental.

No dia 15 de agosto de 1961, dois dias depois de fechar a passagem livre entre Berlim Oriental e Ocidental com arame farpado, as autoridades da Alemanha Oriental começaram a construir um enorme muro, que mais tarde ficaria conhecido como o Muro de Berlim, com o objetivo de bloquear permanentemente o acesso para o Ocidente. Pelos próximos 28 anos, o fortificado Muro de Berlim seria o símbolo mais tangível da Guerra Fria. Seria também o maior atestado de que o socialismo não funciona, pois foi necessário construir um muro para impedir que as pessoas fugissem do lado socialista para o lado capitalista e mesmo assim, muitos arriscaram a vida ou morreram tentando fugir.

Com extensão de 156 quilômetros, o Muro de Berlim possuía mais de 300 torres de observação munidas de militares armados, cercas elétricas, explosivos e cães ferozes. Mesmo assim, mais de 5 mil alemães orientais conseguiram escapar para o lado ocidental e outras 239 pessoas morreram tentando fazer o mesmo.
Somente em novembro de 1989, após várias manifestações populares e o enfraquecimento da União Soviética, o Muro de Berlim foi derrubado. A reunificação da Alemanha ocorreu definitivamente no dia 3 de outubro de 1990.
As disparidades socioeconômicas entre as duas partes ainda é visível até hoje. Mesmo com um grande esforço do governo para diminuir as diferenças, o lado oriental ainda é bem menos desenvolvido que o ocidental.
Embora esta seja uma parte da história que todos aprendem na escola e os fatos colocados aqui sejam amplamente conhecidos, muitos ignoram a principal lição que este episódio nos ensinou: A de que o capitalismo é definitivamente, melhor que o socialismo.

Fontes:

http://www.brasilescola.com/geografia/muro-berlim.htm
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-foi-o-muro-de-berlim
http://infograficos.estadao.com.br/public/especiais/muro-de-berlim/
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/muro-de-berlim-marco-da-guerra-fria-caiu-em-9-de-novembro-de-1989.htm
http://www.seuhistory.com/etiquetas/muro-de-berlim
http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/reunificacao-da-alemanha-vinte-anos-depois-diferencas-ainda-dividem-o-pais.htm