Meritocracia Pt. I - Mobilidade Social


Meritocracia é um assunto polêmico. Talvez seja um dos assuntos mais frequentes e mais polêmicos dentro do debate socioeconômico maior entre defensores do livre mercado e defensores da distribuição de renda. Este artigo pretende apenas jogar mais lenha nessa fogueira, apresentando alguns dados que, na minha opinião, podem mudar o rumo desse debate.
Os que se mantém céticos diante da ideia de meritocracia, criticam a ideia de que basta possuir algumas virtudes, como disposição ao trabalho e perspicácia empreendedora, para subir aos mais altos graus de opulência, não importando o quão baixo você estivesse na escala social. Para esses críticos, um garoto que nasce na favela, jamais terá as mesmas chances que um garoto que nasce em berço de ouro, as oportunidades simplesmente não são as mesmas para todos, por isso o garoto pobre jamais alcançará ao longo de sua vida, a mesma riqueza do garoto que já começou a corrida na frente.
Afinal, qual é a probabilidade de um garoto que nasceu na base da pirâmide social, ascender ao topo da piramide? Bom! Depois de uma rápida pesquisa na internet, encontrei a resposta. Pra ser mais preciso, pelo menos nos Estados Unidos essa probabilidade é de 9%. Encontrei o gráfico abaixo numa matéria da revista The Economist.




Parece uma chance pequena, mas lembrando que essas são as chances de passar do último quintil para o primeiro. Podemos presumir que passar do quinto para o segundo ou para o terceiro quintil, é bem mais fácil. (Vamos mostrar isso mais adiante)
Outros dados interessantes que constam nessa matéria: Em outros países, como na Dinamarca por exemplo, a probabilidade chega a ser o dobro maior. Isso se deve ao fato de que, na Dinamarca, existe mais igualdade social, alguns devem pensar, e isso pode estar certo em partes (em partes), pois é de se imaginar que um abismo maior entre ricos e pobres seja mais difícil de atravessar. Mas também não é bem assim.
O estudo do qual essa matéria trata, que por sinal, é o mais completo sobre mobilidade social nos Estados Unidos até então, concluiu que a mobilidade social no país praticamente não mudou nos últimos anos, isso justamente num período em que, segundo muitos especialistas, a desigualdade aumentou. Ou seja, a desigualdade parece não ter afetado a mobilidade social.

Se a probabilidade de chegar ao topo, saindo da base, fosse muito grande, isso invalidaria a tese da meritocracia ao invés de fortalecê-la, afinal se a tarefa não for difícil, não é preciso mérito cumpri-la. Se 100% dos pobres se tornassem ricos, isso significaria que você vai ficar rico de qualquer forma, provavelmente mesmo que não mereça.
Mas deixar de ser pobre nos Estados Unidos, ou seja, passar do último quintil para o quarto quintil, é algo tão provável, que daria até pra supôr que requer pouco esforço. É o que mostram os seguintes dados:

Um estudo do Federal Reserve Bank of Dallas. mostra que quase 86% das pessoas que eram pobres em 1979, já não eram mais pobres em 1988.





Mas o que você pode estar se perguntando agora é: Se tantas pessoas deixam de ser pobres todos os anos, como é possível que continue a existir pobreza? Acontece é que todos os anos, novas pessoas "entram na economia", principalmente jovens, que ainda não acumularam patrimônio e que recebem salários menores pela falta de experiência e também por conta dos imigrantes. Estes costumam ser os "novos pobres" que ocupam o lugar daqueles que vão deixando a pobreza. Espero também que você tenha em mente que "pobreza" nos Estados Unidos não significa o mesmo que no resto do mundo. Um pobre americano poderia facilmente ser comparado a alguém da classe C no Brasil, como demonstra este ótimo artigo do site Spotniks.

Tão interessante quanto a possibilidade de subir, é a possibilidade de cair. Repare que mais da metade dos que estavam no topo da piramide em 1976, não estavam mais em 1988. Posso imaginar muitos desses ricos "fracassados" ajudando a engrossar o coro que repete exaustivamente: "Meritocracia não existe."

As chances de perder o paraíso são reais não só para os 20% mais ricos da população dos Estados Unidos, mas até para aqueles cujo nome aparece no ranking de bilionários da Revista Forbes. Como destaca essa matéria da própria revista Forbes, desde que o ranking de pessoas mais ricas do mundo foi lançada pela primeira vez em 1987, poucos conseguiram se manter na lista ao longo dos anos.

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Comparando a lista de Bilionários 
da Forbes de 1987 com a de hoje, 
percebemos que é bastante difícil 
permanecer no topo.
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Outro dado interessante revelado pela revista Forbes, é discutido nesta matéria: Cerca de 2 terços dos 1810 participantes da mais recente lista de bilionários, são self-made man, ou seja, pessoas que construíram sozinhas suas próprias fortunas. Destaque para o primeiro da lista, Bill Gates, que fundou a Microsoft com seu então sócio, Paul Allen, praticamente do zero. Mesmo no Brasil, cujo ambiente para o empreendedorismo não é nem um pouco elogiado, 38% dos bilionários daqui fizeram suas próprias fortunas.

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Cerca de 2 terços dos bilionários
da lista da Forbes fizeram suas
próprias fortunas. No Brasil, 38%
dos bilionários construíram suas
fortunas do zero.
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Isso tudo é suficiente para dizer que meritocracia existe? Não sei, até porque este artigo é apenas o primeiro de uma série que pretendo escrever sobre o assunto e até porque também, nem tratamos de meritocracia aqui diretamente mas somente de mobilidade social. O que eu acho muito estranho contudo, é que discussões sobre meritocracia não levem em conta a mobilidade social como fator importante; em especial os críticos da meritocracia, pelo menos aqui no Brasil, falam como se esse fator sequer existisse, como se mobilidade social fosse impossível, tratando o sistema de classes quase que como um sistema de castas, enquanto que nos Estados Unidos, a preocupação por parte da esquerda política parece ser com a possibilidade de que, com o aumento da desigualdade, a mobilidade social seja reduzida. Nos Estados Unidos a esquerda não só reconhece a mobilidade social como preza por ela.

Se esses dados não esgotam o assunto, creio que pelo menos algumas conclusões podem ser tiradas deles: A primeira e mais importante é a de que o capitalismo, pelo menos quando tratamos de um país mais próximo do ideal de capitalismo, como é o caso dos Estados Unidos, é um sistema bastante dinâmico, que ser rico não é garantia de permanecer rico e que nascer pobre não significa estar condenado a ser pobre pelo resto da vida.

8 comentários:

  1. Postem mais, não parem de postar não

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  2. Seu blog é muito bom e informativo. Não pare de postar.

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  3. Mais um argumento contra comunistassinhos marinheiros.

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  4. claro que meritocracia existe, vivemos num mundo capitalista. a pergunta é se ela é boa ou não. pra mim é uma bosta, assim como qualquer pessoa de direita kkk


    comedores de carne de merda

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  5. Quem te chamou? Sai daqui seu pilantra .

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  6. Infelizmente existe mais nessa bosta de politica socialista e meta-capitalista do PT está quase extinta!!

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  7. Pena que não tem a parte 2. Queria muito ver...

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  8. Pena que não tem a parte 2. Queria muito ver...

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