Em 1998, o Yahoo recusou a oferta de comprar o Google por US$ 1 milhão.
Em 2002, o Yahoo percebeu o erro e tentou comprar o Google por US$ 3 bilhões, o Google disse: "Queremos US$ 5 bi", o Yahoo disse não.
Em 2008, o Yahoo se recusou a ser vendido para a Microsoft por US$ 40 bilhões.
Em 2016, o Yahoo foi vendido para a Verizon por US$ 4,6 bilhões.

Os donos do Yahoo estão muito ricos mesmo assim, mais do que a imensa maioria dos pobres mortais conseguirá ficar um dia? Sim, mas eles poderiam estar ainda mais ricos se tivessem feito as escolhas certas. Eles tiveram oportunidades que a maioria das pessoas jamais terá, mas não aproveitaram e pagaram o preço por isso.

A Blockbuster era uma rede de "locadoras" de filmes, uma companhia gigante e com uma grande clientela fiel. E mesmo assim, morreu em pouquíssimos anos, quase de maneira surreal. As pessoas deixaram de alugar DVDs para assistir através de serviço de streaming em demanda, como Netflix e o Net Now. Para piorar: a companhia pode comprar a Netflix ainda em 2000 e não comprou. A empresa faliu em 2013.

Moral da história: Você pode ser uma companhia gigante, mas se não for capaz de atender as novas demandas dos consumidores, você está morto. Ser grande não é garantia de continuar grante, nem mesmo de continuar vivo.

As histórias desse tipo são muitas.
Na década de 1970, a Kodak chegou a ser dona de 80% da venda das câmeras e de 90% de filmes fotográficos. E na mesma década, ela mesmo inventou o que ia falir a empresa: a câmera digital.
Só que, prevendo que câmera digital iria prejudicar a venda de filmes, eles engavetaram a tecnologia. Duas décadas depois, as câmeras digitais apareceram com força e quebraram a Kodak. Ela até tentou sobreviver, lançou câmeras digitais, mas seu nome não era mais sinônimo de fotografia. Faliu em 2012 e acabou com uma marca famosíssima.

O caso da Xerox também é interessante. A empresa não chegou a falir, mas vale muito menos hoje do que duas décadas atrás e menos ainda do que poderia valer se seus gestores tivessem mais visão.




O PARC (Palo Alto Research Center) da Xerox tinha objetivo de criar novas tecnologias inovadoras. E conseguiram: computadores, impressão à laser, Ethernet, peer-to-peer, desktop, interfaces gráficas, mouse e muito mais. Steve Jobs só criou a interface gráfica de seus computadores após uma visita ao centro da Xerox, no coração do Vale do Silício. E ele não foi o único a “copiar” uma tecnologia deles com o intuito de lucrar. Muitos outros o fizeram e ganharam bastante dinheiro com as tecnologias desenvolvidas pela Xerox.

Contudo, um player do mercado pouco aproveitou das tecnologias desenvolvidas pela companhia: a própria Xerox. Isso é uma prova de que não adianta ter um time de inovação dentro da sua empresa criando coisas sensacionais. Inovação também é gestão. Não adianta ter os melhores inovadores na companhia se seus gerentes não conseguem implementar essas inovações.

Outra empresa do Vale do Silício que foi engolida pelos competidores por produzir produtos de qualidade questionáveis foi a Atari. Não bastou criar um mercado gigante de videogames praticamente sozinha, inovando com o Pong ou com o Atari 2600.

A companhia superaqueceu o mercado de videogames no início da década de 1980 e chegou a ter que enterrar milhares de fitas não vendidas e assumir o prejuízo. Quando o mercado se recuperou, outras empresas mais inovadoras haviam tomado a liderança, como a Nintendo. A Atari até tentou entrar novamente no mercado, mas nunca mais teve sucesso. Faliu, ressuscitou, faliu de novo e atual fase da empresa foi vendida em 2008 apenas para manter a valiosa marca viva.

A real inventora do smartphone foi a RIM no começo dos anos 2000. A companhia chegou a ter mais de 50% do mercado de celulares nos Estados Unidos, em 2007. Contudo, naquele mesmo ano, começou a sua derrocada.

O primeiro iPhone foi lançado no dia 29 de junho de 2007. A Blackberry ignorou as tecnologias que o iPhone estava trazendo, como o touch-screen e julgou que a empresa nunca seria capaz de se tornar o standard corporativo por não conseguir lidar com a segurança a nível de e-mail empresarial.

Mas a Apple dominou o mercado de consumidores pessoas-físicas e promoveu o BYOD (Bring Your Own Device, traga seu próprio aparelho) dentro das empresas. Com isso, o mercado foi redefinido e a Blackberry perdeu quase todo seu marketshare. A empresa faliu (o que foi muito bom para o ecossistema de startups de Toronto) e atualmente tenta se redefinir lentamente, com aparelhos que usam o sistema operacional Android.

A lição aqui é a mesma que discutimos no artigo anterior: Estar no topo não é garantia de continuar topo. O que leva as empresas para o topo e as mantém lá por um tempo é sua capacidade de atender às demandas dos consumidores. Se isso é meritocracia, eu pretendo não responder ainda, mas é importante conhecer os fatos para que um debate construtivo aconteça.
Talvez, empresas e indivíduos mais abastados, ou com mais acesso ao crédito, tenham mais condições de investir em pesquisa, inovação e de abrir ou absorver novos negócios. O mesmo vale para indivíduos que receberam melhor educação ou que possuem mais tempo livre para deixarem sua criatividade fluir, estes também têm maiores chances de alcançar e manter uma posição privilegiada. Estes são bons argumentos contra a ideia da meritocracia, mas tratar a economia capitalista como algo estático ou como um sistema de castas, extremamente rígido, é não entender nada.

Se você entende meritocracia como oportunidades iguais e recompensa proporcional ao esforço, então realmente, meritocracia não existe. Mas se você entende meritocracia com recompensas proporcionais às oportunidades que lhe são dadas e que você consegue aproveitar, então nesse sentido sim, a meritocracia é real em economias de mercado.

Fontes:
https://conteudo.startse.com.br/mundo/felipe/7-empresas-gigantes-que-morreram-nos-ultimos-anos-por-nao-inovar/