A Falácia Ludita – Por que economistas não acreditam que tecnologia causa desemprego

O ludismo foi um movimento que surgiu na Inglaterra, por volta de 1811 e que ia contra a mecanização do trabalho proporcionada pelo advento da Revolução Industrial. Eles acreditavam que essa mecanização substituía a mão de obra humana e causava desemprego. O movimento chamava muita atenção pelos seus métodos que consistia basicamente em invadir fábricas e destruir máquinas.

Mas 200 anos depois, o antigo medo dos luditas parece ter retornado, ignorando o fato evidente de que, ao longo dos últimos séculos, a taxa de desemprego nos países industrializados tem se mantido em níveis mais ou menos constantes, exceto em períodos de crise, mesmo com o avanço ininterrupto da tecnologia durante todo esse longo tempo.

A maioria dos economistas, contudo, não vê fundamento no medo dos luditas e inclusive, chamam a hipótese de que máquinas geram desemprego, de “Falácia Ludita”. Abaixo segue a explicação para este ceticismo:

  •  Quando os teares automatizados foram inventados, fabricar roupas tornou-se mais barato. Portanto, os consumidores de roupas teriam experimentado preços mais baixos e, assim, depois de comprar a mesma quantidade de roupas, eles teriam mais renda disponível para comprar outros bens. Por exemplo, comprar uma passagem de trem e ir e comprar um lenço de seda na cidade.
  • Com a mudança tecnológica, vemos um aumento na demanda por novos produtos; Portanto, novos empregos são criados nas ferrovias e lojas que vendem lenços de seda.
  • Além disso, haverá alguns trabalhos criados na construção dos teares automatizados.
  • Com a nova tecnologia, as empresas que vendem roupas também serão mais rentáveis. Este lucro pode ser usado para financiar futuros investimentos que criarão mais empregos.
  • Novas tecnologias permitem, por exemplo, que roupas sejam produzidas em massa com menos trabalhadores. Novamente, isso causaria uma queda no preço das roupas, e os consumidores teriam mais renda disponível não só para comprar mais bens, mas também para gastar em serviços de mão-de-obra mais intensiva. É o que aconteceu nos últimos 100 a 200 anos – a nova tecnologia permitiu à economia evoluir para uma economia mais baseada no setor de serviços. Hoje o setor de serviços emprega muito mais que a indústria.

Resumindo, custos mais baixos de bens manufaturados nos permitem pagar por uma gama mais ampla de bens e serviços, o que gera mais demanda que por sua vez, gera mais empregos.

A mudança tecnológica pode ocorrer mais rapidamente do que nossa capacidade de criar e preencher novos empregos?

A longo prazo, nunca houve evidência de que os avanços tecnológicos tenham aumentado a taxa de desemprego global. Apesar da rápida mudança tecnológica dos últimos 20 anos, não podemos dizer que a tecnologia tenha deixado milhões de desempregados. Em 1920, havia 1,3 milhão de mineiros de carvão no Reino Unido; hoje são menos de 6.000. Isso não significa que tenhamos 1,3 milhão de mineiros de carvão desempregados. Esses empregos são absorvidos em novas áreas da economia.

No entanto, a mudança tecnológica pode causar níveis de desemprego relativamente significativos, especialmente entre os trabalhadores não qualificados.

Por exemplo, as melhorias tecnológicas levaram ao relativo declínio da indústria britânica pesada (por exemplo, a indústria do carvão). Muitos trabalhadores manuais não qualificados perderam seus empregos. Simultaneamente, foram criados novos postos de trabalho no setor de serviços e em empregos qualificados de alta tecnologia. No entanto, como os mineiros de carvão e os trabalhadores siderúrgicos estavam frequentemente concentrados em certas áreas geográficas e tinham competências limitadas, muitas vezes, é muito difícil para eles conseguir um novo emprego.

Portanto, se os trabalhadores estão ameaçados de perder o emprego como resultado de novas tecnologias, a solução não é parar a mudança tecnológica, mas oferecer educação e reciclagem para ajudar os desempregados a encontrarem novos postos de trabalho.

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