A mentira do Trickle-Down

Autor: Thomas Sowell
Publicado Originalmente em inglês no site Townhall.com

O novo prefeito de Nova York, Bill de Blasio, em seu discurso inaugural, denunciou as pessoas “da extrema direita” que “continuam a pregar a virtude da economia trickle-down”. De acordo com o prefeito de Blasio, “eles acreditam que o caminho a seguir é dar mais aos mais afortunados e que, de alguma forma, os benefícios vão se espalhar para todos os outros”.

Se algum dia houver uma competição para saber qual foi a maior mentira da política, esta deve ser uma das principais candidatas.

Embora tenha havido muitas mentiras contadas na política, a maioria tem uma pequena fração de verdade nelas, para fazê-las parecer plausíveis. Mas a mentira da economia “trickle-down” é 100% mentirosa.

Ela deveria vencer a disputa tanto por sua pureza – em nada contaminada pela verdade – quanto por causa de quantas pessoas a repetiram ao longo dos últimos anos, sem que nenhuma evidência fosse exigida ou dada.

Anos atrás, essa coluna desafiava qualquer um a citar qualquer economista fora de um manicômio que houvesse defendido essa teoria do “trickle-down”. Alguns leitores disseram que alguém disse que alguém havia defendido uma política “trickle-down”. Mas eles nunca puderam dar o nome dessa outra pessoa e citá-la.

O prefeito de Blasio não é de modo algum o primeiro político a denunciar essa teoria inexistente. Em 2008, o candidato presidencial Barack Obama atacou o que ele chamou de “uma filosofia econômica” que “diz que devemos dar mais e mais aos que têm mais e esperar que a prosperidade chegue a todos os outros”.

Vamos fazer algo completamente inesperado: Vamos parar e pensar. Por que alguém defenderia que devemos “dar” algo para A na esperança de que isso chegue em B? Por que no mundo qualquer pessoa sensata não daria a B e cortaria o intermediário? Mas tudo isso é irrelevante, porque não há uma teoria “Trickle-down” sobre como dar algo a alguém em primeiro lugar.

A teoria do “trickle-down” não pode ser encontrada nem mesmo nos estudos acadêmicos mais volumosos das teorias econômicas – incluindo o monumental “A História da Análise Econômica” de J.A. Schumpeter, cnom mais de mil páginas e impressa em letras muito pequenas.

Não é apenas na política que a inexistente teoria “trickle-down” é encontrada. Ele foi atacado no New York Times, no Washington Post e por professores de prestigiadas universidades americanas – e até mesmo em lugares distantes como na Índia. No entanto, nenhum daqueles que denunciam a teoria “trickle-down” puderam citar qualquer pessoa que realmente a tivesse defendido.

O livro “Winner-Take-All Politics” refere-se ao “cenário ‘trickle-down’ que defende a ajuda aos que têm tudo, com cortes de impostos e outros favores constantes”. Mas ninguém que realmente tivesse proposto tal cenário foi mencionado, muito menos citado.

Uma das coisas que fazem a esquerda reagir trazendo à tona o bicho-papão do “trickle-down” é qualquer sugestão de que há limites para o quão alto eles podem aumentar a carga tributária para pessoas de alta renda, sem causar efeitos que prejudiquem a economia como um todo.

Mas, ao contrário do que diz o prefeito de Blasio, essa não é uma visão restrita à “extrema direita”. Ícones da esquerda, como os presidentes John F. Kennedy e Woodrow Wilson, também argumentaram que taxas de impostos podem ser tão altas que afetam negativamente a economia.

Em seu discurso ao Congresso em 1919, Woodrow Wilson advertiu que, em algum momento, “altas taxas de impostos sobre a renda e os lucros desestimulariam a energia e removeriam os incentivos a novos empreendimentos, estimulariam gastos extravagantes e produziriam estagnação industrial com conseqüente desemprego e outros males concomitantes”.

Em um discurso ao Congresso em 1962, John F. Kennedy disse que “é uma verdade paradoxal que as taxas de impostos são muito altas hoje e as receitas fiscais são muito baixas e a maneira mais segura de aumentar as receitas a longo prazo é cortar impostos agora”.

Esta não foi uma ideia nova. John Maynard Keynes disse, em 1933, que “a taxação pode ser tão alta a ponto de frustrar seu objetivo”, que no longo prazo, uma redução das alíquotas teriam “uma chance maior do que um aumento para equilibrar o orçamento”. E Keynes também não estava na “extrema direita”.

Já passou da hora de se perguntar por que a esquerda precisaria mentir se o que acreditam é verdade.

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