A Síntese Ordoliberal de Wilhelm Röpke

Wilhelm Röpke foi um economista, sociólogo e historiador alemão que, juntamente com Walter Eucken e Franz Böhm, deu origem ao chamado ordoliberalismo alemão, filosofia econômica e política à qual é creditada a recuperação econômica alemã do pós-guerra. Uma indicação de sua interdisciplinaridade foi sua indicação ao prêmio Nobel de Literatura de 1965.

Wilhelm Röpke nasceu na Alemanha e lecionou economia na Universidade de Marburg, mas teve que se exilar em 1933 devido a sua oposição explícita ao nazismo. Primeiro lecionou na Universidade de Istambul, até 1937, quando recebeu um convite para lecionar no Instituto de Estudos Internacionais em Genebra, na Suíça, função que ele exerceu até sua morte em 1966.

A princípio socialista, Röpke foi convertido ao liberalismo por Ludwig von Mises e se inspirou em muitas de suas ideias, mas rejeitou a abordagem laissez-faire da Escola Austríaca e aderiu ao Ordoliberalismo e à abordagem da Economia Social de Mercado.
Quando a Alemanha já havia se livrado do nazismo, Röpke serviu como conselheiro do chanceler democrata cristão Konrad Adenauer e seu ministro da economia, Ludwig Erhard, considerados pais da Alemanha moderna e responsáveis pelo milagre econômico alemão. Por ocasião da morte de Röpke, em 1966, Mises escreveu:

“Para a maior parte do que é razoável e benéfico na política monetária e comercial da Alemanha, o crédito deve ser atribuído à influência de Röpke. Ele é justamente considerado como um dos autores intelectuais da ressurreição econômica da Alemanha. (…) Os futuros historiadores de nossa época terão que dizer que ele não era apenas um grande estudioso, um professor bem-sucedido e um amigo fiel, mas antes de tudo um homem destemido que nunca teve medo de professar o que ele considerava verdadeiro e correto. No meio da decadência moral e intelectual, ele era um precursor inflexível do retorno à razão, honestidade e boa prática política.”

Röpke teve uma enorme importância enquanto autor da Teoria dos Ciclos Econômicos da Escola Ordoliberal. A primeira vista, a explicação de Röpke para a Grande Depressão, bem como a solução imediata para o problema, parecia concordar com a teoria keynesiana. Röpke acreditava que a contração econômica ocorrida após a crise de 29 não era uma mera “correção automática do mercado”, mas um evento que levaria a uma espiral destrutiva, caso o governo não intervisse. Keynes chegou a cumprimentar Röpke por chegar a conclusões parecidas com as suas, mas a diferença fundamental entre os dois é que, ao contrário de Keynes, Röpke não achava que grandes crises como a Grande Depressão fossem intrínsecas e comuns ao sistema de livre mercado, mas uma catástrofe causada por uma convergência muito rara de fatores. Mais tarde, Röpke se tornaria crítico da teoria keynesiana.

Röpke foi um dos fundadores e presidiu a Mont Pelerin Society entre 1961 e 1962 e foi através dela que ele conheceu Ludwig Erhard. Sobre Röpke, Erhard chegou a dizer:

“Wilhelm Röpke esgotou-se oferecendo – àqueles presos no pensamento socialista-coletivista, àqueles incapazes de escapar de tal pensamento, a todos aqueles envolvidos na constituição ou glorificação do Estado totalitário, àqueles que se desculpam confortavelmente da responsabilidade e das dores de consciência – palavras de transformação, oferecendo-lhes mais uma vez um firme solo sob seus pés e uma fé interior no valor e nas bênçãos da liberdade, justiça e moralidade.”

De fato, Röpke escreveu várias críticas não só ao nazismo, sistema que ele considerava coletivista, irracional e desumano, mas contra toda a mentalidade totalitária que o tornou possível. O trabalho prolífico de Röpke incluía também tentativas de conciliar o cristianismo com a democracia liberal e a economia social de mercado, como maravilhosamente exposto no artigo Liberalism and Christianity.

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