Como o capitalismo livrou o mundo do Beepocalypse

Já faz algum tempo que eu venho denunciando o viés pessimista da mídia, que há muito tempo percebeu que há mais demanda por más notícias do que por boas notícias. O caso do Beepocalypse é mais um exemplo curioso disso.

Em 2006, algo misterioso começou a acontecer com as abelhas. Elas começaram a desaparecer de suas colmeias, a simplesmente sair voando embora e não voltando mais. Criadores ao longo dos EUA reportaram perdas entre 30 e 90% de suas colmeias. Estas perdas foram sem precedentes e ninguém sabia explicar as causas. O estranho fenômeno foi chamado de Distúrbio do Colapso das Colônias e logo recebeu ampla cobertura da mídia.

A Time o chamou de “beepocalypse”; A Quartz chamou de “beemageddon”. Até 2013, a Rádio Pública Nacional declarava “uma crise para as colheitas” e uma capa da Time predizia “um mundo sem abelhas”. Todo mundo recebeu uma parte da culpa, desde culturas geneticamente modificadas, pesticidas e o aquecimento global até celulares (acusados de interferir no senso de direção das abelhas) e linhas de transmissão elétrica de alta tensão. O governo Obama criou uma força-tarefa para desenvolver uma “estratégia nacional” para promover as abelhas e outros polinizadores, pedindo US$ 82 milhões em financiamento federal para cuidar da saúde dos polinizadores e aumentar 7 milhões de hectares de terra. Este ano, marcas como Cheerios e Patagonia lançaram campanhas para salvar as abelhas; a última lançou uma petição pedindo que o governo federal “proteja as populações de abelhas”, impondo regulamentos mais rigorosos sobre o uso de pesticidas.

Uma ameaça sobre as abelhas deve certamente suscitar preocupações. Elas polinizam uma grande variedade de culturas alimentares importantes – cerca de um terço do que comemos – e adicionam cerca de US$ 15 bilhões em valor anual para a economia, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA. E os apicultores ainda estão reportando mortes de abelhas acima da média. Em 2016, os apicultores dos EUA perderam 44 por cento de suas colônias em relação ao ano anterior, a segunda maior perda anual registrada na última década.

Mas apesar de anos de pânico por parte da mídia, os alardes sobre um iminente beepocalypse, hoje o número de colônias é o maior dos últimos 20 anos, então, o que aconteceu?

Enquanto o governo tentava encontrar uma solução para o problema e a mídia lamentava pelo desastre iminente, criadores de abelhas silenciosamente encontraram uma forma de enfrentar o problema. Abelhas são animais domesticados, mas ao contrário de vacas, por exemplo, as abelhas podem se reproduzir muito rapidamente, enquanto uma vaca tem entre 2 e 4 descendentes durante sua vida, abelhas rainha podem botar até 1.500 ovos num único dia e criadores de abelhas comerciais são plenamente capazes criar um grande número de abelhas rapidamente para satisfazer o aumento na demanda. Reconstruir colônias não é nada novo para criadores de abelhas. Primeiro, eles dividem uma colméia em duas e compram uma nova abelha rainha por cerca de US$ 20 e a nova colônia pode estar pronta para começar a polinizar dentre de algumas poucas semanas. Criar abelhas rainha também não é muito difícil, basta alimentar as larvas com geléia real.
Criadores também podem simplesmente comprar abelhas para reabastecer suas colônias, um pacote de 12 mil abelhas custa cerca de US$ 100 e eles podem recuperar estes custos extras aumentando os preços cobrados dos fazendeiros para seus serviços de polinização.

E esse sistema parece estar funcionando. Embora o fenômeno do colapso continue intrigando cientistas, não parece haver nenhum risco de extinção das abelhas e a boa notícia que a mídia se recusa a dar é que relatos de colapsos têm diminuído nos últimos anos. Estudos também têm concluído que o fenômeno praticamente não afetou os preços que o consumidor final paga por nenhum produto.

Leia mais em:
Reason – Como o capitalismo salvou as abelhas

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