Confrontar, caluniar e rejeitar: O legado anti-intelectual de Karl Marx

Autor: Art Carden
Publicado originalmente em inglês no Site Learn Liberty

Hoje marca o aniversário daquele que provavelmente foi o mais influente cientista social dos últimos dois séculos, Karl Marx. (N. T.: O artigo original foi publicado em ocasião do aniversário de Karl Marx) Enormes quantidades de tinta, digital e literal, foram gastas interpretando Marx, reinterpretando Marx, fazendo exegeses de Marx, aplicando Marx, criticando Marx, refutando Marx, homenageando Marx e enterrando Marx. O atual debate universitário sobre Liberdade de Expressão sugere que devemos considerar o legado prático, intelectual e político de Marx.

Estudiosos trabalhando na tradição liberal clássica estão familiarizados com calúnias e ocasionalmente, acusações usadas em lugar de argumentos, além do tratamento desdenhoso “quem é que está te bancando?” em lugar do engajamento cuidadoso e crítico.
Oponentes do salário mínimo devem ser lacaios das corporações.

Intelectuais que discordam das posições ortodoxas sobre a origem antropogênica do aquecimento global – ou mesmo os que sugerem que ele pode não ser cataclísmico – estão no bolso das companhias petrolíferas e de outros interesses sinistros.

O mero fato de que Charles Koch ocupa uma cadeira no quadro de diretores do Institute for Humane Studies e é um benfeitor generoso para o instituto é suficiente para muitas mentes descartarem por completo qualquer coisa que os estudiosos do IHS digam.

Minha pesquisa defendendo o Walmart foi claramente comprada pelo Walmart.

Meu trabalho criticando o Walmart foi claramente comprado por “sindicatos socialistas”, como foi colocando num comentário.

Estudiosos da rede do IHS só se entusiasmam com a ideia de fronteiras abertas porque seus mestres corporativos querem explorar mão de obra barata.

Você entendeu a ideia. Acusar é um substituto conveniente ao pensar.

O inimigo não é refutado

Como Ludwig von Mises colocou em Socialismo: Uma Análise Econômica e Sociológica, sobre a interpretação marxiana da história e do processo intelectual, “o inimigo não é refutado: Basta denunciá-lo como um burguês.” Mises dedica grandes porções de todo um volume – intitulado Marxismo Desmascarado – à discussão e dissecação dos métodos marxistas, seus argumentos e análises. Enfrente aquele de quem discorda. Calunie-o como um burguês ou um mero apologista dos interesses de classe burgueses. Use isso como pretexto para rejeitar suas ideias como um todo. Mova-se para a próxima etapa da revolução, a postura de refutar teorias e evidências que se dane.

 

 

Deirdre McCloskey argumenta que Marx foi o maior cientista social do século XIX. Há muito em favor deste ponto de vista e muito esforço em promovê-lo, com isso ela se destaca de muitos de seus amigos à direita. Da mesma forma, ela se separa de muitos de seus amigos à esquerda ao apontar que Marx estava errado sobre tudo. Também há muito em favor deste ponto de vista, do aumento real dos salários de trabalhadores não qualificados durante a Revolução Industrial Britânica, ao aumento do padrão global de vida durante aquela que Andrei Shleifer chamou de “a era de Milton Friedman.” Há também todo o colapso das economias construídas sobre o socialismo ou do extremo intervencionismo, como visto na União Soviética e Leste Europeu no final dos anos 80 e como vista agora na Venezuela.

O que devemos fazer quanto ao hábito anti-intelectual dos intelectuais?

Eles aprenderam com Marx. Thomas Sowell explica da seguinte maneira em seu livro de 1985, Marxismo: Filosofia e Economia:

Muito do legado intelectual de Marx é um legado anti-intelectual. Tem se dito que você não pode refutar um zombador. O marxismo ensinou muitos – dentro e fora de suas fileiras – a zombar do capitalismo, de fatos inconvenientes ou interpretações contrárias e, assim, zombar do próprio processo intelectual. Essa tem sido uma das fontes de sua força duradoura como doutrina política e como meio de adquirir e usar o poder político de maneira desenfreada.

Essa aquisição e uso do poder não foram inócuos. Marx conhecidamente escreveu que “os filósofos apenas interpretaram o mundo, de várias formas, a questão porém é mudá-lo.” Mudar o mundo foi o que Marx e seus seguidores fizeram, mas não pra melhor.

Sociedades construídas sobre o ideal marxista foram e são máquinas assassinas, quando as pessoas não estavam para serem fuziladas, eram obrigadas a dar um “Grande Salto Adiante” e por fim, morrerem de fome. A contagem de corpos nos regimes comunistas – chegando a casa dos cem milhões – é o legado político e intelectual de Marx. Ele e seus seguidores deveriam estar mais abertos a possibilidade de estarem errados.

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