Desvinculando a causa pela Renda Básica Universal do nonsense pós-escassez

Autor Emile Yusupoff
Texto original em inglês publicado no site do Adam Smith Institute

Um argumento popular para a introdução da Renda Básica Universal é o de que ela se tornará necessária diante da crescente automação. À medida em que as máquinas podem desempenhar cada vez mais tarefas, a demanda por mão-de-obra humana cairá, resultando inevitavelmente em um aumento do desemprego. Então, por uma conclusão supostamente lógica, em algum momento a economia pode ser inteiramente automatizada, eliminando totalmente a necessidade de trabalho, ainda enquanto a produção em massa de baixo custo continua, resultando em uma era de pós-escassez. Reformas importantes, portanto, tais como os Serviços Básicos Universais, são necessárias, pois de acordo com seus proponentes, não haveria outra forma de garantir que todos possam ter suas necessidades atendidas em um mundo onde trabalhar para obter uma renda será impossível.
Isso é um pouco fantasioso. A pós-escassez pode ou não ser teoricamente possível. Mas ainda que fosse, não é algo com que a política deveria se preocupar aqui e agora. A tecnologia atual e as projeções realistas sugerem que, embora um número significativo de empregos esteja em risco (cerca de 30% no Reino Unido), estamos muito longe de automatizar todos os empregos.
Seria extremamente difícil automatizar certos empregos de forma bem sucedida, muito menos de forma eficiente, particularmente aqueles que exigem criatividade, empatia ou um rosto humano. Isso se aplica a uma variedade de indústrias e profissões. Em muitos casos, a IA servirá apenas como uma ferramenta para os trabalhadores, e não como um substituto. Só porque os médicos podem usar máquinas de diagnóstico, não significa que o médico é desnecessário. De qualquer forma, o processo será incremental e gradual, não haverá um momento de choque onde os seres humanos, de repente, são economicamente desnecessários.
Também provavelmente é falso que o número de empregos deve cair significativamente. O mito de que a inovação destrói os empregos surgiu de forma intermitente, pelo menos, desde que os luditas se insurgiram contra o Spinning Jenny. O que realmente acontece é que, enquanto certos empregos são destruídos, novos os substituem. O número total de empregos porém, não é afetado. Em última análise, os argumentos em favor da tese contrária podem ser reduzidos à Falácia do Trabalho.
Não há motivos para pensar que mesmo com a automação em massa seja diferente. Embora a demanda por trabalhadores de linha de montagem ou de fast food possa cair, a demanda por programadores aumentará. Além disso, demandas novas, e talvez imprevisíveis, se desenvolverão à medida em que as necessidades e desejos existentes forem satisfeitos a um custo menor, levando à expansão de indústrias (talvez surpreendentes) e à criação de novas, ainda por serem concebidas. Considere que já não precisamos mais de operadores de linhas de transmissão, enquanto que ninguém em 1950 tinha muito interesse em ter um smartphone.
Isso não prejudica, contudo, a defesa de uma RBU. Mesmo que a automação não estivesse acontecendo, seria parte de uma reforma desejável de bem-estar. Seria mais eficiente substituir o sistema atual de benefícios por uma RBU, especialmente na forma de um Imposto de Renda Negativo. Indo além, ainda seria desejável substituir o máximo de Estado de Bem Estar Social possível pela simples concessão de dinheiro às pessoas. Além de remover camadas de burocracia, isso permitiria uma maior autonomia e responsabilidade do que o cuidado direto do estado.
Dado que (alguma) automação está acontecendo e que o mercado de trabalho foi afetado por desenvolvimentos como a economia de trabalhos temporários, temos um motivo adicional para uma RBU. Existem distinções entre a automação contemporânea e inovações disruptivas do passado. A rapidez da criação e destruição de empregos aumentou (considere o recente surgimento de aplicativos de corridas e a perspectiva de carros sem condutor em um futuro não muito distante).
A diferença entre um emprego e outro pode ter aumentado. Onde o trabalho é cada vez mais especializado, a diferença entre as habilidades necessárias para realizar diferentes trabalhos aumentou. A mudança de um emprego não qualificado ou semi-qualificado para outro é (comparativamente) mais fácil e mais barata do que mudar de um emprego especializado para outra função qualificada, talvez, radicalmente diferente. Um antigo digitador precisava de treinamento para poder trabalhar, mas isso poderia ser feito de maneira simples e direta no próprio local de trabalho. Já a mudança de dirigir um táxi para programar softwares, exige um treinamento mais formal e teórico.
Se existe uma ameaça real da automação, é a perspectiva de maior desemprego estrutural. Uma “solução” seria sufocar a inovação, atacar a economia de trabalhos temporários ou “tributar os robôs”. Isso porém seria infeliz e desnecessário. Outras políticas, como atualizar a educação e expandi-la para adultos, podem ter um papel importante e uma RBU também seria útil, especialmente se for estruturada como um Imposto de Renda Negativo, garantindo que o trabalho extra seja sempre mais interessante. Assim, os riscos de desemprego de longa duração, tanto para o trabalhador individual quanto para a economia, seriam mitigados, sem prejudicar a inovação e a flexibilidade do mercado de trabalho.

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