Elon Musk não é nenhum herói capitalista, mas também não é um vilão do 007

Autor: Art Carden
Publicado originalmente em 09/10/2016, em inglês no site Learn Liberty

Essa pode não ser uma afirmação típica dos fãs de tecnologia do Vale do Silício que o veneram ou dos capitalistas de risco que engordaram com seus empreendimentos, mas ela tem que ser dita:

Meu bilionário favorito é Elon Musk.

A lista de realizações do visionário sul-africano de 45 anos é inspiradora (ver: SpaceX e Tesla), mas a sua lista de metas ainda não alcançadas parece coisa de ficção científica.

Transito “hyperloop” de alta velocidade? Veremos uma pista de teste de hyperloop em 2018. Energia solar barata, eficiente e armazenável? Musk tem um plano para criar telhados de casas feitos inteiramente de painéis solares. Colonizar Marte? Musk delineou o plano da SpaceX para colonizar Marte e nos tornar “uma espécie verdadeiramente multi-planetária”.

Musk traz para o debate, uma visão sobre como mudar a forma como nos locomovemos, sobre como podemos impulsionar o que nos rodeia e sobre onde moramos. Ao fazê-lo, ele está trabalhando para abordar alguns dos desafios mais importantes enfrentados como espécie.

Um, obviamente, é a mudança climática. Novas tecnologias energéticas e reduções nas barreiras à difusão da energia nuclear poderiam evitar a necessidade de queimar tantos combustíveis fósseis. Temos vastos estoques de reservas de petróleo e carvão que podemos acabar deixando debaixo da terra mesmo, não por causa de regulamentos do governo, mas porque temos alternativas superiores, e Musk lidera a vanguarda na luta para tornar obsoletos os combustíveis fósseis.

O plano de Musk de colonizar Marte está relacionado à sua visão sobre energia. Ao ampliar nosso portfólio de mundos habitáveis – insatisfatoriamente limitado a apenas um atualmente – ele está se esforçando não apenas pela sustentabilidade energética, mas também pela sustentabilidade humana. Colocar todos os ovos na mesma cesta é um péssimo conselho financeiro, e ter apenas um planeta é arriscado para uma espécie que quer garantir sua sobrevivência.

Musk, no entanto, recebe muitas críticas da esquerda, da direita e do centro na medida em que suas empresas dependem de subsídios do governo. Essa crítica é legítima, e é uma amostra interessante das diferenças entre o mundo mais livre e mais próspero, para o qual estamos trabalhando, e o mundo imperfeito, mas muito melhor do que há cinco séculos, no qual vivemos atualmente.

Subsídios, incentivos fiscais especiais, garantias de empréstimos e outras benesses do governo são más políticas, mas são fatos inevitáveis ​​na hora de fazer negócios no século XXI. Empreendedores e investidores da sociedade enfrentam um Dilema do Prisioneiro. Todos estariam melhor se concordassem em evitar subsídios e outros atrativos do governo, mas como você não sabe se todos os seus concorrentes vão se abster de buscar subsídios, então você tem um incentivo para buscar subsídios a fim de obter vantagem. Se você sabe que todos os seus concorrentes vão buscar subsídios, você também tem um incentivo para buscar subsídios para não ser empurrado pra fora do mercado por um concorrente privilegiado. Como Ryan Hagemann, do Niskanen Center, coloca:

“Os reais concorrentes de Musk não são outras empresas que disputam o domínio num mercado definido pela livre iniciativa e pela concorrência. São outras empresas que disputam o domínio num setor altamente poluído por regulamentações governamentais, lobistas e favoritismo político”.

Elon Musk não é o problema. Os incentivos que lhe aparecem é que são o problema. Por mais ineficazes que sejam os subsídios, subsidiar a Tesla ou a SpaceX provavelmente é menos ruim do que subsidiar outros empreendimentos. Dado que pagar altos impostos é inevitável e dado que os governos vão gastar dinheiro com alguma coisa de qualquer forma, eu preferiria que eles gastassem dinheiro ajudando Elon Musk a construir uma fábrica em Nevada, um Hyperloop de Los Angeles a São Francisco, e um sistema de transporte em massa para Marte do que com muitas das outras coisas que os governos fazem.

É claro que dizer que “subsidiar a Tesla e a SpaceX é melhor do que comprar tanques e bombas” não é endossar rentistas ou uma apologia aos subsídios. É, antes, um reconhecimento da difícil realidade política que enfrentamos. É um erro atribuir todo o sucesso de Elon Musk ao capitalismo laissez-faire, que faz avançar a inovação, mas também é um erro descartá-lo como herege ou hipócrita por estar respondendo a incentivos poderosos.

A longa história do capitalismo mostra que poderíamos fazer muito melhor e que a inovação não precisa de subsídios para florescer. Mas longa história de como os governos gastam dinheiro também mostra que poderíamos fazer muito pior do que subsidiar empresas revolucionárias de tecnologia.

 

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