Grécia: A primeira a cair no populismo e a primeira a sair dele

Quando a Grécia foi atingida em cheio pela Crise da Zona do Euro e o Syrisa, partido até então tido como de extrema esquerda, venceu as eleições de 2015, a esquerda logo comemorou o fato como o presságio de uma guinada mundial à esquerda como resposta à crise mundial. Isso não aconteceu, mas o mundo se deparou com um fenômeno quase tão preocupante quanto: A ascensão do populismo em todo mundo, seja pela esquerda, seja pela direita.

No entanto, se a Grécia foi o primeiro país a cair no populismo em decorrência da crise, também parece ser o primeiro a se livrar dele. Os sinais de que a Grécia está se voltando para o liberalismo, tanto econômico quanto político, são animadores.

A Grécia esteve perto de sair da zona do euro, não mais pôde buscar recursos nos mercados internacionais e teve de recorrer ao financiamento de seus sócios europeus e do Fundo Monetário Internacional (FMI), em troca de um rigoroso plano de austeridade. O primeiro ministro Alexis Tsipras foi eleito com uma retórica irada e antieuropeia, com promessas de empoderar “o povo” combatendo as elites, os bancos e os alemães, no fim acabou seguindo as regras estabelecidas pelas instituições internacionais que assumiram a responsabilidade das finanças da Grécia. A Grécia permaneceu dentro do euro e dentro dos sistemas financeiros e legais internacionais que seus líderes juravam abominar. Em um dos últimos episódios dessa odisseia grega, o país finalmente chegou a um acordo com seus credores para reestruturar sua dívida.

Politicamente, também há motivos para ficar otimista. Se as pesquisas eleitorais estiverem corretas, Kyriakos Mitsotakis deve ser o novo primeiro-ministro da Grécia, liderando o partido de direita Nova Democracia, dado como morto pela esquerda em 2015, Mitsotakis vem propondo uma agenda de reformas liberais.

Mas é intelectualmente que os gregos demonstram estar mais dispostos a trilharem o caminho da liberdade. Em sua coluna no The Washington Post, no último dia 29, Anne Applebaum escreveu:

“Mas o fracasso do Syriza também desencadeou a reação oposta: uma tentativa pequena, mas crescente, de reviver o liberalismo econômico, pela primeira vez na memória recente, e de celebrar também a democracia liberal. Uma década atrás, os intelectuais da moda eram todos de esquerda na Grécia, e a maioria dos livros sobre política e economia eram escritos por marxistas. Agora, é possível sentar em um café com jovens que se descrevem não apenas como ‘liberais econômicos’, mas também como ‘neoliberais’, adotando uma frase que foi usada como insulto severo apenas alguns anos atrás.

Há mais: um livro chamado ‘Breve Introdução ao Liberalismo’, do cientista político Aristides Hatzis, foi um best seller em 2017. Os editores produziram novas edições de Friedrich Hayek e John Stuart Mill. Um pequeno grupo de think tanks liberais está determinado a prosperar. Em 2021, a Grécia celebrará o 200º aniversário de sua guerra pela independência, e uma série de instituições comemorará esse evento como o nascimento da moderna democracia liberal na Grécia.”

 

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