O que a direita brasileira deve fazer para não perder sua liberdade nas redes sociais

Não adianta só chorar pelo stablishment dominado pela esquerda. 90% dos posts de páginas anti-esquerda que eu vejo são apenas tentativas de “desmascarar” gente de esquerda ou denuncias contra o “viés de esquerda” nisso ou naquilo. Depois do anúncio de que o Facebook vai “combater as Fake News” em parceria com agências de Fact checking com viés de esquerda, a choradeira aumentou ainda mais. Mas vamos ver o que aconteceu nos EUA e na Europa, onde existe uma direita influente de verdade e depois comparar com a realidade brasileira, na esperança de encontrar algum norte.

Depois dos recentes escândalos envolvendo o vazamento de informações do Facebook para a Cambridge Analytica, supostamente favorecendo a campanha de Donald Trump, Zuckerberg foi pressionado por políticos e veículos de mídia de esquerda até ser convidado a depor perante o congresso americano. Eles só se esqueceram de um pequeno detalhe: O congresso americano tem maioria republicana e os parlamentares conservadores souberam pressionar o CEO do Facebook para que este mantenha a liberdade de expressão na rede, deixando bem claro nas entrelinhas: Temos mais poder para interferir na sua empresa do que os parlamentares da esquerda. Tente ferrar com a gente e ferraremos com você. Destaque para a atuação brilhante do senador Ted Cruz.
Na Europa, tudo indica que a direita será ainda mais incisiva. Também depois de pressionado pela esquerda, Zuckerberg também concordou em depor para parlamentares europeus.

Mas até agora ele só marcou um encontro a portas fechadas com representantes do Partido Popular, grupo de partidos de centro-direita e o maior do parlamento europeu. Os partidos mais conservadores e populistas de direita protestaram de início, mas agora apoiam o encontro, enquanto apenas as bancadas mais a esquerda protestam, sob a desculpa de que querem um encontro público. Se tal encontro ocorrer, da forma como vem sendo planejado, tudo indica que a direita vai botar as cartas na mesa de forma ainda mais explícita do que fizeram os congressistas americanos.

Boas perspectivas para os EUA e Europa, péssimas perspectivas para o Brasil. Nossa direita não domina o congresso, ou melhor, nossa direita mal existe e os poucos parlamentares de direita que temos são completos despreparados. O Facebook já confessou que um dos motivos para combater as Fake News são as eleições desse ano no Brasil. Então, todo e qualquer candidato que se sinta potencialmente prejudicado por agências de Fact Checking simpáticas ao PT, PSOL e outros partidos mais a esquerda, deveriam, no mínimo, considerar uma regulação das redes sociais caso o Facebook não diversifique e aumente a quantidade e a transparência das agências de checagem, crie um sistema de apelação para postagens e páginas censuradas, além de detalhar todo o processo.

Claro que nossa fraca direita não tem tanta capacidade de barganha quanto as direitas americana e européia, além de que sua falta de preparo e disposição não me deixam muitas esperanças de que vão tomar providências, só penso que não deveríamos aceitar tão passivamente a ameaça da censura.

E antes que alguém venha com aquele mimimi tipicamente laissez-faire de que o estado não deve interferir em empresas privadas, bom primeiro que ele pode sim, o liberalismo nunca defendeu a completa ausência de regras legais sobre o setor privado e em segundo lugar, o Facebook é um monopólio natural, uma empresa que não tem concorrentes e portanto, para a qual as vantagens do mercado desregulado não se aplicam.

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