Os “Balseros” Cubanos

Em nosso primeiro post desta série, falamos sobre as pessoas que arriscaram a vida para fugir do socialismo rumo ao capitalismo. Hoje, vamos falar sobre outro caso deste tipo, o caso dos “balseros” cubanos.

“Balseros” é o nome dado em Cuba (nos EUA, são chamados de “rafters”) aos que fogem do regime socialista cubano atravessando o mar em embarcações improvisadas e precárias, buscando uma vida melhor nos Estados Unidos.

Entre 1959 e 1994, 63.000 cubanos fugiram de Cuba e chegaram aos Estados Unidos vivos.[1] Com o fim da União Soviética em 1991, Cuba deixa de receber ajuda de um dos seus principais aliados. A economia da ilha entra num período de sérias dificuldades conhecido como “Período Especial”.
Entre 1991 e Julho de 1994, o número de refugiados aumenta dramaticamente até atingir o número de 500 pessoas chegando diariamente, durante as duas primeiras semanas de Julho de 1994, no que ficou conhecido como a Crise dos Balseiros Cubanos de 1994. (Cuban Rafter Crisis em inglês) [1]

Tais fugas resultaram numa população de 1,2 milhões de cubanos vivendo nos Estados Unidos. (lembrando que Cuba tem pouco mais de 11 milhões de habitantes) [1] Até então, a política dos Estados Unidos era a de aceitar como residente permanente, qualquer refugiado cubano, mas para lidar com a crise, o governo americano foi obrigado a adotar uma política mais restritiva conhecida como “wet-foot, dry-foot”, que determina que qualquer pessoa encontrada em águas entre os dois países é devolvida à Cuba, enquanto que aquelas encontrados em terra, são aceitas no país. [2]

Ainda hoje o fluxo de refugiados é grande. Na verdade, o número de cubanos tentando entrar nos Estados Unidos quase que dobrou nos últimos dois anos, na maior onda de refugiados desde a crise de 1994. [3]

A situação em Cuba parece ser tão grave que muitos cubanos estão trocando Cuba até mesmo pelo Brasil, mesmo com crise econômica. É o caso dos médicos que vieram para o Brasil através do programa Mais Médicos e agora não querem mais voltar. [4] [5]

Fontes:

[1] Site totalmente dedicado à crise de 1994, com farta documentação sobre o fenômeno, incluindo fotos, vídeos, depoimentos, fontes primárias e uma extensa bibliografia sobre o assunto.
[2] Migration Policy: Imigrantes Cubanos nos Estados Unidos
[3] New York Times: Guarda costeira resgata cubanos de Boca Raton em um novo sinal de esforços perigosos para fugir
[5] Estadão: Ações por permanência no Brasil fazem Cuba suspender envio ao Mais Médicos
[6] UOL: Cubanos do Mais Médicos avisam: Não queremos voltar

Não deixe de assistir também ao emocionante documentário dos jornalistas espanhóis Carlos Bosch e Josep Domènech Graell, que ao longo de sete anos, acompanharam a odisseia de alguns refugiados que partiram durante o grande êxodo de 1994.

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