Segundo a Oxfam, Cingapura faz menos contra a desigualdade do que o Afeganistão

A ONG Oxfam, mundialmente famosa por publicar, anualmente, dados alarmantes sobre o aumento da desigualdade no mundo, deu uma demonstração definitiva de seu viés ideológico em uma de suas últimas publicações. Trata-se de um ranking com os países que mais fazem pela redução da desigualdade. O curioso é que Nigéria, Cingapura e Índia, foram colocados entre os que menos atuam em favor dessa meta.

Coréia do Sul, Geórgia e Indonésia foram elogiados pelos esforços em reduzir as desigualdades, através de políticas como aumento do gasto social, taxação e direitos trabalhistas.

Cingapura, um dos países mais ricos do mundo, ficou entre os 10 últimos, em parte por causa de práticas que facilitaram a evasão fiscal, disse a Oxfam. A cidade-estado, que não tem um salário mínimo universal, também possui poucos direitos trabalhistas.

A Dinamarca, geralmente elogiada pela ONG, recebeu alertas de que administrações recentes, comandadas pelo Partido Liberal, tem desmontado aquilo que a ONG considera “boas práticas”.

O curioso é que a Índia, um dos últimos colocados no ranking, foi um dos países que mais reduziram a pobreza nos últimos anos, sendo um dos grandes responsáveis pela queda no número global de pessoas vivendo abaixo da linha da miséria que vem sendo observada nas últimas décadas.

Mas o caso que mais chamou a atenção foi realmente o de Cingapura, que aparece abaixo até do Afeganistão no ranking. Cingapura é um dos países mais desenvolvidos do mundo, seu IDH em 2018 é o 9º maior do mundo, acima de países como Dinamarca, Países Baixos e Canadá. E o mais incrível é que Cingapura era um país pobre até os anos 1960. Seu crescimento acelerado chamou a atenção do mundo e o país fez parte dos chamados tigres asiáticos. Ainda que a Oxfam tenha razão quanto aos esforços para reduzir a desigualdade, ela só conseguiu provar o quão pouco a desigualdade está ligada à pobreza, qualidade de vida ou bem estar.

O tipo de política praticada por Cingapura divide opiniões. Think Tanks liberais alegam que o país pratica uma das formas mais puras de livre mercado em vigência hoje no mundo. Há anos o país aparece em segundo lugar no ranking de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, sempre perdendo apenas para Hong Kong, outro tigre asiático. Embora alguns porta vozes da esquerda contestem essas alegações, chamando a atenção para intervenções pontuais do governo de Singapura na economia, o relatório da Oxfam parece endossar a tese de que Cingapura realmente pratica uma forma relativamente radical de liberalismo econômico.

Além do viés ideológico, a Oxfam também vem perdendo credibilidade por seu envolvimento em casos de corrupção e acusações graves de abuso sexual.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *